A Noite

A Noite

Em 18 de julho de 1911, Irineu Marinho lançou um dos mais modernos jornais das primeiras décadas do século XX. Noticiosa, ágil, com linguagem acessível e ricamente ilustrada com fotografias, charges e caricaturas, A Noite conquistou imediatamente o público carioca.


Raid aéreo

O piloto francês Edmond Plauchut decola da Av. Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro. A Noite, 22/10/1911. Arquivo /Memória GloboUm mês após o seu lançamento, A Noite patrocinou o primeiro raid aéreo do Rio de Janeiro, oferecendo 10 contos de réis para o piloto que fizesse a travessia aérea da Baía de Guanabara. O prêmio fazia parte da campanha que o jornal vinha promovendo para a criação de um campo de aviação no Rio de Janeiro, nos moldes dos que já existiam na França.

O trajeto do voo previa a decolagem da Av. Rio Branco, no Centro do Rio, na altura da Praça Mauá. O piloto deveria contornar o litoral entre a Ilha das Cobras e a Ilha Fiscal, dar uma volta na praia da Lapa, voltar e sobrevoar o Arsenal da Marinha e depois seguir em direção à Praia do Zumbi, na Ilha do Governador, onde ocorreria a aterrissagem.

O único inscrito foi Edmond Plauchut, piloto francês radicado no Brasil. Na manhã de 29 de outubro de 1911, Plauchut decolou seu Blériot de uma das pistas da Av. Rio Branco, sob o olhar atônito da multidão. Sobrevoou o litoral do Centro e da Zona Portuária, mas uma pá da hélice se partiu e o avião caiu na Baía de Guanabara, a 300 metros de seu destino. Plauchut se atirou na água, sem se ferir. 

Durante os preparativos do concurso, A Noite publicou diariamente notas sobre a aviação no mundo e sua importância militar e comercial. A idéia do campo de aviação foi ganhando apoio das autoridades e logo evoluiu para o projeto de criação de uma escola de aviação no Rio de Janeiro. Poucos dias antes do voo de Plauchut, foi fundado, na redação do jornal A Noite, o Aeroclube do Brasil, para promover a aviação no Brasil. Em 1922, A Noite promoveu a Semana de Aviação e, em 1924, Irineu Marinho foi escolhido como paraninfo do filme Dêem asas ao Brasil, da Botelho Filmes, por ser considerado o grande propulsor da aviação brasileira.