O Início

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Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


A escolha da sede

Fachada da primeira sede do jornal O Globo, no Largo da Carioca. 1925. Arquivo/Agência O GloboAs reuniões para a escolha da sede de O Globo foram no escritório do advogado Herbert Moses e Justo Morais, na Rua do Rosário, no centro do Rio de Janeiro. A opção foi o prédio do Liceu de Artes e Ofícios, no Largo da Carioca. No material que Roberto Marinho estava escrevendo para a autobiografia Condenado ao Êxito, nunca  concluída, o jornalista recordou o seu primeiro local de trabalho: “Tudo era velho. Adaptar esse prédio para o seu novo destino exigiu um longo e penoso esforço”.

Esforço e determinação nunca faltaram em Irineu Marinho. Nem ao filho Roberto. Foi nesse ambiente precário que ele começou a exercitar o jornalismo. O ex-assessor Walter Poyares lembrou: “O Globo ficava num pardieiro. Era um edifício bem antigo. A escadaria gemia quando a gente subia. Dr. Roberto ficava num canto e via a redação toda”.

Antônio Olyntho, que foi colunista do jornal nos anos 1950, contou que todos trabalhavam no mesmo ambiente. “Ninguém tinha sala separada. Nem Roberto Marinho. A gente sentava numa grande mesa e era todo mundo batendo à máquina de escrever ao mesmo tempo. Era um tipo de jornalismo meio barulhento.”

Roberto Marinho se dedicou inteiramente ao Globo desde a sua fundação. Ajudou o pai a escolher os primeiros equipamentos para a  montagem do jornal, como a máquina de gravura: “Não existia no mercado brasileiro. Fomos encontrar em Vila Isabel, um bairro do Rio de Janeiro. Estava num quintal, servindo de poleiro para galinhas. Não foi difícil a transação e, recuperada, a velha máquina começou a trabalhar para O Globo”. Depois, veio a rotativa, arrendada por Irineu Marinho. Era uma Hoe, de fabricação francesa, que havia pertencido ao exército britânico. O contrato de arrendamento foi acompanhado de um acordo de impressão e estereotipia de dois jornais de Leônidas de Rezende, A Nação - ligado ao Partido Comunista Brasileiro, o PCB - e A Manhã. O equipamento sobreviveria por cerca de três décadas nas oficinas de O Globo.

“Tudo era velho. Adaptar esse prédio para o seu novo destino exigiu um longo e penoso esforço.” (Roberto Marinho)

Foram quase 30 anos “suando a camisa” na redação de O Globo, junto aos demais jornalistas, como conta João Roberto: “Quando a gente fala sobre a história de meu pai, o seu sucesso empresarial, estamos nos referindo à segunda metade  da sua carreira profissional. No começo, ele trabalhava todos os dias dentro da redação, numa sobreloja do prédio do Liceu de Artes e Oficio. Ele e os dois irmãos eram redatores do jornal. Meu pai só foi ter sala própria quando O Globo se mudou para a Rua Irineu Marinho. Ele trabalhou 29 anos ali, no meio de todos os jornalistas.”