Na Rua Irineu Marinho

Na Rua Irineu Marinho

Em outubro de 1954, Roberto Marinho sentou-se à mesa e escreveu na sua Remington a crônica que marcaria o último dia de trabalho na sede antiga de O Globo, na Rua Bittencourt da Silva. Despedida foi publicada na primeira página. No dia seguinte, a redação e as oficinas do jornal foram  transferidas para o novo endereço: Rua Irineu Marinho, 35, centro do Rio de Janeiro. Era o início de processo de modernização, que incluía a aquisição de novos equipamentos gráficos. 


Campanhas e promoções

Ao longo de sua história, O Globo promoveu eventos, campanhas e ações que contribuíram para a melhoria do país e, principalmente, da cidade onde estão os seus principais leitores, o Rio de Janeiro. Esta preocupação com o desenvolvimento da sociedade se concretizou em setembro de 1952, quando foi criado o Departamento de Relações Públicas, sob a direção de Walter Poyares. Considerado o precursor da atividade de marketing no país, Poyares implantou a área com o objetivo de ampliar a presença na comunidade. Primeiro jornal brasileiro a ter um departamento voltado para ações sociais, O Globo estreitou os laços com seu leitor por meio da prestação de serviços.  

Várias campanhas foram criadas entre os anos 1950 e 1960. Uma das mais importantes foi a Operário Padrão, de 1955, promoção que valorizava os trabalhadores da indústria nacional. Houve outros destaques como o Dia das mães e o Dia dos pais, ambos de 1952. Em entrevista ao Memória Globo, Walter Poyares lembrou a criação da última data: “Havia uma festa que celebrava nos Estados Unidos o “Father’s Day’. Eu fiz questão que fosse o Dia do Papai. No início, ninguém queria. As pessoas achavam que não pegaria porque não havia esse tipo de comemoração por aqui.” Poyares procurou uma data entre o Dia das Mães, no segundo domingo de maio, e a festa de Natal: “ Achei o dia 16 de agosto, dia de São Roque. No primeiro ano, caiu em um domingo. Depois, passou para o segundo domingo de agosto. Hoje, o Dia dos Pais é celebrado no Brasil inteiro e fomos nós que fixamos a data. “

Outra iniciativa que mobilizou a sociedade brasileira foi  a campanha Ajude uma Criança a Estudar, de 1961. Coordenada por D. Stella Marinho, a promoção estimulava pais, professores e entidades no sentido de tornar viável o estudo de crianças pobres. A campanha envolveu a organização de leilões, concursos, exposições e apresentações musicais e teatrais para arrecadação de dinheiro.

Departamento de Promoções

Em 1966, Péricles de Barros assumiu o Departamento de Relações Públicas e mudou o nome para Departamento de Promoções. Campanhas como O Rio será sempre o Rio (1960) buscavam valorizar o envolvimento com a cidade e as comunidades locais. Essa linha de atuação foi sendo renovada com o Projeto Mutirão (1980), Caça às armas (1983) O Rio contra o crime (1984) e a promoção Vá ao teatro, que consistia na venda de ingressos mais baratos para espetáculos.

Estandarte de Ouro

O Estandarte de Ouro foi criado em 1973 para premiar os destaques dos desfiles das escolas de samba do carnaval carioca. O jornalista Marcelo Pontes lembra que era pautado para cobrir a premiação dos melhores do carnaval, escolhidos pelo jornal, por causa do seu “olhar diferenciado” na cobertura da avenida. “Pelo fato de trabalhar em política, os diretores diziam: ‘Vai lá e tenta ver alguma coisa diferente’. Eu tinha muita liberdade para pautar e sugerir reportagens. No carnaval, ofereci uma matéria, que hoje não teria mais o menor sentido, mas que ninguém tinha feito na época. A chegada das escolas de samba na dispersão, quando todo mundo fazia na concentração, os destaques subindo nos carros etc. O meu olhar era para a dispersão. Como é que a Vera Fisher, no auge, atravessava aqueles poucos minutos de glória na avenida e como é que ela descia lá, aquela coisa toda desajeitada, o guindaste… Eu descrevia esse ambiente. Não era a matéria principal do carnaval, mas era agradável de ler. Essas coisas que a televisão não mostrava e que o jornal podia fazer.”

Sheila Roza foi uma das primeiras mulheres a trabalhar no Globo. Entrou para o jornal no início dos anos 1970, na área de eventos. Ela lembra que Roberto Marinho participava ativamente das promoções do jornal. E uma das campanhas foi especial para a ex-funcionária: “A chegada de Papai Noel no Maracanã. Era emocionante ver aquelas crianças vestidas de branco, correndo dos quatro cantos do estádio e o Papai Noel descendo de helicóptero”.

No decorrer dos anos, o jornal manteve a política de lançar campanhas de aproximação com as comunidades do Rio, como Adote uma praça e Adote um animal, em 1988. A campanha Adote uma praça mobilizou empresas que se responsabilizaram por sua conservação. No ano seguinte, mais de 40 praças e jardins haviam sido adotados. Adote um animal foi desenvolvida em parceria com a Fundação Rio Zôo. Na época, o jornal assinou contrato de adoção por um ano de um casal de onças. Em 1992, na comemoração do centenário de Copacabana, O Globo promoveu a campanha Vamos florir Copacabana, com o intuito de ornamentar o bairro em seu aniversário. A iniciativa ganhou a adesão da Fundação Parques e Jardins, que distribuiu  mudas de plantas entre os moradores.

O Globo em Movimento, em 1994, tornou acessível ao público carioca o melhor da dança contemporânea mundial. Seis companhias nacionais e internacionais fizeram apresentações. Dois anos depois, o jornal lançou a promoção O Rio que Nós Queremos, aproveitando o processo eleitoral para engajar a comunidade de todas as regiões da cidade na elaboração de propostas para solucionar seus principais problemas.   

Em 1998, com a campanha O Globo nas Artes Visuais, o jornal promoveu exposições de fotografia, design, arquitetura e artes plásticas em diversos centros culturais, como o Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

A campanha Natal sem Fome, criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, teve o apoio de O Globo, em 2001. O dinheiro arrecadado foi usado na compra de alimentos não perecíveis, entregues no depósito da organização não-governamental,  Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida. No mesmo ano, o projeto Educando o cidadão do futuro, promovido pela Telemar, O Globo e Extra, discutiu os rumos que a família e a escola deveriam seguir para se construir uma sociedade ideal. 

Hospital Pró Criança, uma construção do bem foi uma ação para acompanhar a prestação de contas das cirurgias realizadas nos hospitais públicos. Para isso, foi encartado em O Globo o jornal do Pró Criança Cardíaca, em 2004.

O concurso Globinho nas eleições foi outra ação do jornal para incentivar a conscientização política de estudantes. Em 2006, escolas inscreveram seus alunos, em grupos, para elaborar propostas de governo para o país. Os vencedores ganharam uma viagem a Brasília.

Preocupado em levar mais informação sobre saúde à população, durante os anos de 2010 e 2011, O Globo incentivou o programa de saúde familiar da prefeitura do Rio de Janeiro, com o projeto Saúde Presente na Vida da População Carioca.

Do conjunto de iniciativas de O Globo na área social, dois projetos ainda em vigor merecem destaque: o Aquarius e a campanha Quem lê Jornal Sabe Mais.