Destaques

Destaques

Desde o lançamento, O Globo privilegiou diversas categorias profissionais que abrilhantaram a produção jornalística ao longo dos anos. Contou com talentos na caricatura, ilustração, fotografia, colunas, seções, cadernos e suplementos. O jornal é um colecionador de prêmios em função da sua qualidade editorial e respeito ao leitor. 


Caricaturas

O gosto pela caricatura como expressão dos acontecimentos vinha da época de Irineu Marinho no jornal A Noite. O filho, Roberto Marinho, manteve a tradição e, nos seus diferentes gêneros, a caricatura sempre teve um papel importante em O Globo. Já no dia de seu aparecimento, em 29 de julho de 1925, ocupava um lugar de destaque na primeira página, trazendo ilustração de um dos seus mais famosos nomes: Raul Paranhos Pederneiras. Ao lado, acompanhando um pequeno texto, foram desenhados alguns bonecos, rubricados com as iniciais F. A., de Francisco Acquarone, conhecido pintor e caricaturista. 

Nos anos seguintes, os desenhos dos caricaturistas satirizavam costumes da cidade, por meio de personagens, e debochavam das tramas políticas. Colaboraram nomes como Fritz (Anísio Oscar Mota), Perdigão,  Francisconi e Enrique Figueroa. Este último influenciou uma geração de desenhistas brasileiros, como Augusto Rodrigues, Alvarus, Mendez, Nássara e Théo, que trabalhou em O Globo por mais de 30 anos. O presidente Getúlio Vargas era um dos seus alvos prediletos. 

Charge de Raul Pederneiras. O Globo, 29/11/1930, p. 1. Arquivo / Agência O GloboCharge de Fritz (Anísio Oscar Mota). O Globo, 15/10/1925, p. 1. Arquivo / Agência O GloboCharge de Theo (Djalma Pires Ferreira). O Globo, 10/07/1931, p. 1. Arquivo / Agência O Globo

Em 1955, depois de se celebrizar na Última Hora com a famosa caricatura do Carlos Lacerda como Corvo, Lan (na realidade, Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortellini Rossi Rossini) começou a colaborar em O Globo. Ficaria no jornal por dois anos, até que, em fevereiro de 2002, retornaria às suas páginas, mostrando cenas do cotidiano do Rio de Janeiro. Sua estreia foi no Caderno Carnaval, onde apareceram suas “cariocaturas”, maneira como gosta de chamar seus desenhos que, tendo a cidade como cenário, exibem em, primeiro plano, mulheres curvilíneas.  Em entrevista ao Memória Globo, Lan comenta a postura de Roberto Marinho diante das sátiras publicadas no jornal. “O Globo sempre teve muito equilíbrio em relação à própria crítica. Roberto Marinho nunca fez nenhuma reclamação direta porque a crítica do jornal feita a políticos e personalidades, por meio das charges ou das caricaturas, sempre foi bem conduzida pelos profissionais. Sem ‘puxa-saquismo’, sem exageros.”

“Roberto Marinho nunca reclamou das críticas feitas por meio das charges ou das caricaturas.” (Lan, caricaturista)

Na década de 1980, Henfil (Henrique de Souza Filho) tinha um espaço diário em O Globo, chamado Orelhão. Nele, o criador de personagens clássicos do cartum nacional, como o Fradinho, a Graúna e  o Bode Orelana, passava em revista fatos do cotidiano, da política e da sociedade do país, com seu humor cáustico e grande senso crítico. Henfil era também colaborador do Globinho. O suplemento dominical publicava a tira do personagem Zeferino, o cangaceiro da série dedicada à caatinga. 

Chico Caruso (Francisco Paulo Espanha Caruso) colabora em O Globo desde 1984. É autor de algumas das principais charges políticas da imprensa brasileira nos últimos anos. Seus desenhos formam uma crônica, extremamente inspirada, da história recente do país.   “A sensação de começar a fazer charge política em O Globo era como se você entrasse no vácuo, meio testando os limites para ver no que ia dar. Eu lembro quando levei o primeiro desenho colorido em O Globo. Dr. Roberto falou assim: ‘Você vai ver a repercussão que o teu desenho vai ter no meu jornal’. Aí, eu estava chegando ao meu ateliê e uma senhora no terceiro andar disse assim: ‘Oi, parabéns.’  ‘Parabéns por quê?   ‘Você está no O Globo’. Aí eu falei: ‘A senhora lê O Globo?’, e ela respondeu: ‘Eu vejo tudo que o Roberto Marinho faz.’”

Chico Caruso retratou Roberto Marinho em várias ocasiões. O jornalista nunca pediu pra ver os trabalhos antes da publicação. Essa era uma tarefa para Evandro Carlos de Andrade. Chico recorda que o então diretor de Jornalismo deixava a avaliação sempre para o dia seguinte. 

Charge de Chico Caruso sobre a reforma gráfica. O Globo, 20/12/1995. Arquivo / Agência O GloboSobre Roberto Marinho, ele conta que uma charge, em especial, deixou o jornalista orgulhoso. Foi a que o retratou para a Academia Brasileira de Letras. O imortal usava um chapéu de jornal na cabeça. “Aquele jornal que parece um barquinho de papel. Ele considerou uma homenagem. E uma das charges que o dr. Roberto mais gostava era da reforma gráfica. Ele lendo o jornal. O quadro ficava pendurado no escritório dele. Foi um pedido do Ali Kamel quando O Globo completou 70 anos.” 

O ilustrador Marcelo Monteiro, o Marcelinho, é o mais antigo do jornal em atuação. Entrou em 1962, indicado por Paulo Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues, para ilustrar a coluna “Se a cidade contasse...”. Nelson chegou ao jornal algumas semanas depois e Marcelo passou a ilustrar os textos dos dois irmãos. Entre a década de 1970 até 2013, Marcelo ilustrou, e ilustra, as colunas e artigos de João Saldanha, João Ubaldo Ribeiro, Luiz Garcia, Luis Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura, Martha Medeiros, Paulo Coelho, Alberto Goldin, B. Piropo, entre outros.  “Acho que sou o ilustrador que tem mais trabalhos publicados em O Globo. Fui durante muito tempo o único ilustrador do jornal. Sou a cara do Globo.” 

 Outros caricaturistas que ilustraram, e ilustram, as páginas de O Globo são: Cássio Loredano, Jimmy Scott, Erthal, Hippert, Claudio Ceccon, Dil Márcio, Cavalcanti, Cláudio Duarte, Cruz e Miguel Paiva.