Década de 2000

Década de 2000

A Globo chegou ao século XXI cada vez mais conectada com o jornalismo que aposta na credibilidade, isenção e transparência e com um entretenimento de qualidade e inovador. Foi destaque na cobertura dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, acompanhou a campanha vitoriosa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002 e entrou para o Guinness, o livro dos recordes, como a maior produtora de novelas do mundo. Também estreou na transmissão de programas em alta definição e, em 2009, levou o prêmio Emmy Internacional de melhor telenovela por Caminho das Índias, de Gloria Perez. A década também foi marcada pelo estreitamento das relações entre TV e Internet. Sites de notícias (G1), sobre Esportes (Globoesporte), de Entretenimento (Gshow) e sobre a história da Globo (Memória Globo) foram lançados e transformaram a Globo.com em um dos portais e provedores mais acessados no Brasil.


Dramaturgia

Claudia Raia e Patrícia Pillar em A Favorita, 2008. Fabrício Mota/TV GloboRoberto Marinho sempre incentivou a discussão de temas socioeducativos em sua dramaturgia, além de apoiar novas linguagens narrativas. O conceito foi respeitado na nova década. Pode-se dizer que, a partir dos anos 2000, ao lado de tramas inovadoras como A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro, as campanhas sociais, aliadas a tramas bem desenvolvidas, deram o tom das novelas da década.

Laços de Família (2000), de Manoel Carlos, estimulou a doação de medula óssea através da história de Camila (Carolina Dieckmann), que lutava contra a leucemia e contava com o amor incondicional da mãe, Helena (Vera Fischer). A abordagem da doença na novela deu à Globo o mais importante prêmio de responsabilidade social do mundo, o BITC Awards for Excellence 2001, na categoria Global Leadership Award. 

No ano seguinte, em O Clone (2001), Gloria Perez discutiu a cultura islâmica, a clonagem humana e a dependência química. A campanha antidrogas desenvolvida na trama contribuiu para a desmistificação do perfil do usuário e incentivou os dependentes a buscar apoio nos centros de recuperação e deu à autora e ao diretor Jayme Monjardim um prêmio concedido pelo FBI e pela Drug Enforcement Administration (DEA) – os dois principais órgãos do governo norte-americano responsáveis pelo controle do tráfico de drogas.

Em Mulheres Apaixonadas (2003), Manoel Carlos voltou a fazer campanha, entre elas a denúncia de maus-tratos contra idosos – que favoreceu a aprovação do Estatuto do Idoso no Senado Federal –, a abordagem da violência contra a mulher, e o incentivo ao desarmamento. Em América (2005), Gloria Perez discutiu a inclusão social de deficientes.

Enquanto Da Cor do Pecado (2004), de João Emanuel Carneiro, destacava-se por apresentar a primeira protagonista negra de uma novela contemporânea e urbana (vivida por Taís Araújo), novelas como Senhora do Destino (2004), de Aguinaldo Silva, e Alma Gêmea (2005), de Walcyr Carrasco, batiam recordes de audiência em seus respectivos horários. Também foi a década da primeira novela da Globo totalmente gravada e transmitida em alta definição, Duas Caras (2007), de Aguinaldo Silva, que combateu preconceitos ao abordar o homossexualismo e a união inter-racial.

Momentos importantes da História do Brasil também se destacaram nesse período, como a trajetória do ex-presidente Juscelino Kubitschek, retratada na minissérie JK (2006), de Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral, e o processo da anexação do Acre ao território brasileiro, trama desenvolvida por Gloria Perez na minissérie Amazônia (2007).

No campo dos seriados, destacaram-se inovações como Os Normais, comédia de situação estrelada por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, que abriu caminho para a intensa produção de sitcoms na emissora; o seriado Cidade dos Homens, produzido pela Globo em parceria com a O2 Filmes, em 2002, marcou o início da produção de conteúdo da emissora com produtoras independentes; e Antônia (2006), também da O2 Filmes, que mostrava a luta de heroínas negras e pobres contra preconceitos e desigualdades sociais.