O Início

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Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


Deposição de Vargas

A deposição de Vargas, em outubro de 1945, foi outro assunto que O Globo saiu à frente dos concorrentes. No segundo semestre daquele ano, começou a se expandir uma campanha, promovida por círculos trabalhistas com o apoio dos comunistas, que ficou conhecida como “queremismo”. Era uma palavra de ordem que queria dizer: “queremos Getúlio”. Os “queremistas” saíam às ruas defendendo a instalação de uma Assembleia Nacional Constituinte com Getúlio Vargas no poder. A oposição udenista começou, então, a denunciar o movimento como sendo uma manobra continuísta do presidente.

Em outubro, a desconfiança da oposição em relação ao governo aumentou quando o presidente baixou um decreto com mudanças nas regras do processo eleitoral. A situação complicou. O presidente Vargas demitiu o chefe da polícia do Distrito Federal, João Alberto, que havia proibido a realização de um grande comício pró-getulista, marcado para o dia 27.

Todos esses fatos, que culminaram com a deposição de Getúlio no dia 29, foram noticiados, passo a passo, pelo Globo. As caricaturas de Théo com ironias à figura de Vargas, intituladas  “A bola da vez”, acompanhavam as informações que saíam na primeira página. No dia 30, a “renúncia” do presidente foi noticiada, mas a edição deu destaque à posse de José Linhares. Foi publicada uma reportagem ilustrada com a manchete: “A primeira madrugada do novo presidente”. Nesse mesmo dia, na sua última edição, O Globo deu um furo de reportagem, publicando as primeiras fotos e o primeiro depoimento de Vargas depois da deposição. A manchete anunciava: “O Globo diante do presidente deposto!”.