Década de 1980

Década de 1980

Nos anos 1980, a Globo introduziu o uso do satélite na transmissão de sua programação para todas as emissoras e afiliadas, imprimindo maior qualidade aos programas. O jornalismo ganhou ainda mais agilidade, investindo na divulgação de notícias de forma imediata e instantânea para todo o país. 


Dramaturgia

Lima Duarte e Regina Duarte em Roque Santeiro, 1985. Frame de vídeo/TV Globo.O lançamento das minisséries foi um dos grandes momentos da teledramaturgia da Globo nessa década. Criadas como um projeto experimental para o horário das 22h, antes ocupado por novelas e depois por seriados, elas introduziram o formato de histórias com no máximo 60 capítulos, com enredos adaptados de obras literárias ou baseados em períodos ou personalidades da história do Brasil. O novo formato levou a um processo de trabalho mais meticuloso, que resultou em maior qualidade de texto e imagem.

A estreia foi em 1982, com a premiada Lampião e Maria Bonita, de Aguinaldo Silva e Doc Comparato. A história era baseada nos últimos seis meses de vida de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, personagem mítico do cangaço brasileiro. A minissérie conquistou a Medalha de Ouro no Festival Internacional de Cinema e Televisão de Nova York, na categoria Drama.

Várias minisséries se destacaram no período, entre elas Grande Sertão: Veredas, de Walter George Durst, baseada no romance de Guimarães Rosa, e dirigida por Walter Avancini.

Foi uma década de consagração dos programas da Globo no exterior. Muitas produções receberam importantes prêmios internacionais, como as minisséries Avenida Paulista (1982), Moinhos de Vento (1983), Tenda dos Milagres (1985) e O Pagador de Promessas (1988), os especiais O Santo Milagroso (1983) e Órfãos da Terra (1984), e o seriado Armação Ilimitada  (1985), um dos programas mais revolucionários da história da TV brasileira.

Entre as novelas, também foram muitos os destaques. Roque Santeiro (1985), nova versão de Dias Gomes para sua trama que havia sido censurada em 1975, estourou no horário nobre ao satirizar a exploração política e comercial da fé popular e fazer de uma cidade fictícia um microcosmo do Brasil.

Com Vale Tudo (1988), Gilberto Braga falava de corrupção e falta de ética em uma trama que denunciava a inversão de valores que assolava o país no final dos anos 1980. A morte da vilã Odete Roitman virou um dos marcos da história da teledramaturgia brasileira.

O autor Cassiano Gabus Mendes, em Que Rei Sou Eu? (1989), aludia à Revolução Francesa para fazer uma paródia do Brasil, ambientando sua trama em um fictício país europeu, nos idos de 1786. No mesmo ano, Lauro César Muniz, com a novela O Salvador da Pátria, fazia de um boia fria uma espécie de porta-voz de um momento importante da política brasileira, a volta das eleições diretas para presidente.