Destaques

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Desde o lançamento, O Globo privilegiou diversas categorias profissionais que abrilhantaram a produção jornalística ao longo dos anos. Contou com talentos na caricatura, ilustração, fotografia, colunas, seções, cadernos e suplementos. O jornal é um colecionador de prêmios em função da sua qualidade editorial e respeito ao leitor. 


Ela

Para o público feminino, Roberto Marinho promoveu o lançamento do suplemento Ela, em 1964, como continuação da seção O Globo Feminino. No primeiro número foi publicado um texto dele apresentando o novo caderno:

“Tão ativos e ruidosos se mostram os homens neste século que os que se deixam iludir pelo mundo frágil das aparências concluem que vivemos num mundo masculino. Mas já era tempo de sabermos melhor. O homem, na divisão do trabalho da espécie, em geral se encarrega de transformar o mundo – pela criação, pela transformação nem sempre acertada, e pela destruição tão lamentavelmente frequente. Cabe à mulher a tarefa mais profunda, embora menos espetacular e quase silenciosa, de manter os valores morais, os sentimentos eternos, as bases permanentes de civilização. Às vezes, há invasão das respectivas esferas e há homens que pregam as virtudes da permanência, como há mulheres aventureiras que se lançam às lutas políticas ou devassam em órbita o espaço exterior.

Mas a verdade é que toda a agitação masculina, de toda essa confusa vontade de mudar às vezes pelo simples prazer de mudar, só ficará para o futuro o que for homologado pela intuição e pelo bom senso das mães que educarem os homens que terão de julgar o que seus pais ou seus avós fizeram.

Assim, um pouco de reflexão basta para mostrar que, afinal de contas, o mundo moderno é bem menos masculino e muito mais feminino do que parece.

Quis este jornal dedicar a essa melhor metade da humanidade o presente suplemento, que a rigor nem precisava da justificação precedente. As altas virtudes da mulher brasileira explicariam homenagens muito mais amplas do que estas e determinam o propósito de oferecer-lhe todos os sábados estas páginas destinadas ao seu lazer, aos seus interesses domésticos, às suas preocupações com a moda, enfim a tudo o que lhe reserva um canto especial no coração de todos nós para os tributos de admiração e de carinho.

Possam as leitoras receber estas páginas com o mesmo espírito com que são oferecidas, para que adocem, corrijam, orientem e prolonguem a tarefa de tornar este mundo melhor e a vida mais digna de ser vivida”

Na mesma página, a editora Nina Chaves afirmava que o Ela não tinha sido planejado apenas para as leitoras “passarem os olhos simplesmente”. A editora assinalava que havia “muita coisa boa e útil para ser lida devagar nas manhãs de sábado e que você gostará até de guardar”. Em novembro 1989, depois de mais de vinte anos sendo publicada no Segundo Caderno, Ela ganhou vida própria. Em 2012, foi lançado o site e um caderno especial, dedicado à gastronomia, recebeu o nome de Ela Gourmet.