Década de 1970

Década de 1970

Nos anos 1970, a Globo virou líder de audiência com um modelo de grade de programação horizontal e vertical, exibida de segunda a sábado, e o horário nobre preenchido por duas novelas intercaladas pelo Jornal Nacional, o carro-chefe da programação.


ENG no Jornalismo

Em 1976, o jornalismo da Globo começou a utilizar o Eletronic News Gathering (ENG): pequenas unidades portáteis – dotadas de câmeras leves e sensíveis, transmissores de micro-ondas, videoteipes e sistemas de edição – que permitiam o envio de imagens e sons diretamente do local do acontecimento para a emissora, sem a necessidade de revelação de filmes. Os novos equipamentos substituíram as tradicionais e pesadas câmeras de 16mm, com vantagens econômicas e operacionais.

A troca da película pelo processo eletrônico, o videoteipe, foi uma grande inovação do jornalismo.

“Nós trabalhávamos com VT quadruplex, que eram fitas de duas polegadas. E tínhamos ainda o telecine, porque as matérias feitas pelas equipes de reportagem eram em filme. Com o advento do ENG é que nós passamos a utilizar câmeras com gravadores próprios, aquelas câmeras imensas, que trabalhavam com U-matic acoplado. O operador ficava com o VT e o cinegrafista com a câmera. Era bem complicada a operação, o cinegrafista ficava acoplado através de um cabo”, rememora o operador de sistemas Wilson Ribeiro Araújo.

O jornalismo da Globo continuou a usar por algum tempo um sistema híbrido para a gravação das imagens. Somente em 1985 o laboratório de revelação foi desativado para dar lugar, definitivamente, ao jornalismo eletrônico.

A nova tecnologia, antes de ser aplicada em todos os telejornais, foi testada em programas jornalísticos como o Globo Repórter. Segundo o jornalista José Hamilton Ribeiro, foi o primeiro programa gravado com fita do começo ao fim. “A reportagem fui eu que fiz: uma matéria na Serra Pelada, onde se diz que a força de trabalho reunida ali só tinha comparação com a que construiu as pirâmides do Egito”, comenta José Hamilton.

A transmissão de matérias ao vivo tornou-se muito mais rápida com micro-ondas portáteis e câmeras com bateria, que permitiam fechar o link rapidamente para a emissora. As primeiras transmissões ao vivo causaram impacto. Foi um avanço para o processo produtivo, substituindo a prática de ir para a rua, gravar, levar a fita de volta para a redação e botar no ar. Em transmissões de jogos de futebol e carnaval, por exemplo, era preciso montar um esquema com antecedência de alguns dias, assegurar que havia energia no local e levar caminhões enormes para a operação. O recurso da transmissão ao vivo permitiu inovações importantes no telejornalismo da Globo.

A primeira entrada ao vivo com ENG foi realizada no Jornal Nacional, em 1977: a cobertura de um engarrafamento na Avenida Brasil, feita pela repórter Glória Maria e pelo cinegrafista Roberto Padula.