Década de mudanças

Década de mudanças

O final da década de 70 e o início dos anos 80 foram marcantes para O Globo. O povo ainda enfrentava a repressão, mas o Brasil percorria o caminho da democracia. Pelas páginas do jornal, a população tomava conhecimento da abertura politica promovida pelo governo Geisel. Enquanto isso, O Globo encontrava-se cada vez mais perto das comunidades. Inovações surpreendiam o leitor. Redação modernizada, novos suplementos, como os Jornais de Bairro, cor na primeira página e no Segundo Caderno. O Globo se tornava o primeiro diário brasileiro a circular no Natal e no dia primeiro de janeiro. 


Informatização da redação

Roberto Marinho na redação de O Globo. Antônio Andrade/Agência O GloboDepois do off-set, chegava a hora de trocar a máquina de escrever pelos computadores. Era mais uma virada de O Globo no caminho da modernização. Henrique Caban lembra que houve resistência. Mas os jornalistas sabiam que o computador invadiria inevitavelmente as redações. Era um caminho sem volta. “Os repórteres e redatores se mobilizaram contra e, nós, os chefes também achávamos complicado. Eu me lembro que a gente fez uma viagem para comprar computadores e resolvemos não trazer. Naquele tempo, as máquinas precisavam ser mantidas com no-break, dentro de uma sala refrigerada e tal. Acabamos comprando leitoras óticas. Mas estava na cara que o computador iria entrar nas redações. Não tínhamos dúvida.”

Os computadores chegaram por volta de 1985. Todos tiveram que aprender a usá-los. Até Roberto Marinho, assegurou Argeu Afonso: “Todos, inclusive dr. Roberto, tiveram aula sobre o manuseio dos terminais. A programação era totalmente diferente. Isso houve implicação também na parte empregatícia porque o computador passou a suprir várias etapas da feitura do jornal, a começar pelo linotipista. Não tinha mais chumbo. Acabou ali.”

Todos, inclusive Roberto Marinho, tiveram aula sobre o manuseio dos terminais.” (Argeu Afonso, ex-gerente de redação)

Ana Luísa Marinho lembra que a chegada do computador mudou também o ambiente da redação. “Tudo ficou mais silencioso. As pessoas já não faziam tanta brincadeira. Ficaram menos brincalhonas. A gente perdeu muito esse clima típico de confusão na redação.”

Merval Pereira lembra que a chegada dos computadores deu mais agilidade ao jornal e exigiu uma reciclagem dos profissionais: “No primeiro momento, não houve uma mudança de qualidade grande, mas, quando começou a paginação ser feita no computador, melhorou tudo.”