Década de 2000

Década de 2000

A Globo chegou ao século XXI cada vez mais conectada com o jornalismo que aposta na credibilidade, isenção e transparência e com um entretenimento de qualidade e inovador. Foi destaque na cobertura dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, acompanhou a campanha vitoriosa da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002 e entrou para o Guinness, o livro dos recordes, como a maior produtora de novelas do mundo. Também estreou na transmissão de programas em alta definição e, em 2009, levou o prêmio Emmy Internacional de melhor telenovela por Caminho das Índias, de Gloria Perez. A década também foi marcada pelo estreitamento das relações entre TV e Internet. Sites de notícias (G1), sobre Esportes (Globoesporte), de Entretenimento (Gshow) e sobre a história da Globo (Memória Globo) foram lançados e transformaram a Globo.com em um dos portais e provedores mais acessados no Brasil.


Jornalismo

Na primeira década de 2000, o jornalismo da Globo se tornou ainda mais atuante, participativo e plural, investindo em grandes coberturas no Brasil e no mundo. Com a morte de Evandro Carlos de Andrade, em 2001, Carlos Henrique Schroder tornou-se diretor da Central Globo de Jornalismo e Ali Kamel, que deixara o cargo de editor-chefe do jornal O Globo, assumiu a função de diretor executivo.

A presença da Globo no exterior foi ampliada com a criação dos escritórios da China (e depois do Japão), da Argentina e de Israel – além dos escritórios de Nova York e Londres que já existiam desde os anos 1980.

A reestruturação dos escritórios da Globo no exterior foi possível graças a uma novidade tecnológica, criada em 2001 pela equipe de engenharia do jornalismo: o “kit correspondente”. O equipamento é composto por uma câmera de mão, um laptop e uma antena, substituindo a onerosa contratação de satélites, o que é feito somente em grandes eventos. A nova ferramenta foi utilizada pela primeira vez na cobertura do início dos ataques norte-americanos ao Afeganistão. No ano de 2003, a Globo inaugurou sua nova sede em Nova York, conectada 24 horas com o Brasil, via satélite, e contando com um novo centro técnico digital e uma redação-estúdio.

Com a consolidação da internet e das redes sociais, aumentou a participação do telespectador nos telejornais, cujos sites abriram espaço para receber vídeos, fotos, sugestões e comentários do público. Materiais enviados pelos internautas começaram a ser utilizados na elaboração de pautas. Entre as novidades estavam as mudanças no cenário do Jornal Nacional, que passou a ser apresentado de dentro da redação, com a bancada dos apresentadores transferida para um mezanino.

Uma das maiores coberturas da Globo na nova era se deu logo no primeiro ano do século XXI, a dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. A Globo foi a primeira TV aberta brasileira a mostrar um flash do atentado terrorista, pondo no ar as primeiras imagens que chegavam da CNN. À noite, o Jornal Nacional apresentou uma edição especial com uma hora de duração, e seu noticiário bateu o recorde de audiência daquele ano. Os correspondentes da Globo no exterior foram em busca de imagens e reportagens que as TVs americanas não mostravam e, no ano seguinte, o Jornal Nacional foi indicado pela Academia Nacional de Artes e Ciências da Televisão dos Estados Unidos ao prêmio Emmy Internacional, concorrendo com a alemã RTL e as britânicas ITN e BBC. 

No Brasil,  as atenções se voltaram para as eleições presidenciais de 2002, que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva. O Jornal Nacional não só acompanhou o dia a dia dos candidatos como realizou entrevistas ao vivo, na bancada do telejornal, com os presidenciáveis. Ali Kamel, na época diretor executivo e autor da ideia, inédita na Globo e em outras emissoras, explica:

“Como privilegiar o debate de ideias de maneira inteligente e que atraia a audiência? Uma das formas que encontramos foi realizar entrevistas ao vivo na bancada do JN. Essas entrevistas atingiram 51 milhões de pessoas. É um tiro de canhão que poucos têm, e a imprensa inteira foi muito feliz ao dizer que as entrevistas "desmarquetizaram" os candidatos. Uma coisa é o candidato gravar entrevista com a orientação de um marqueteiro, querendo se passar por algo que não é - ou é, mas com direção; outra coisa é ele, diante de 51 milhões de pessoas, ser inquirido de improviso sobre os principais assuntos do país e ter que revelar se é ou não consistente. É um avanço monumental para a democracia”.  Além de serem realizadas no Jornal Nacional, as entrevistas também aconteceram no Bom Dia, Brasil, no Jornal da Globo, e na Globo News. Ao ser eleito, Lula deu sua primeira entrevista ao Jornal Nacional e optou por permanecer na bancada durante toda a edição, fato inédito na história do telejornal.

O ano de 2002 foi, ainda, aquele em que o Brasil ganhou pela quinta vez a Copa do Mundo, e Fátima Bernardes, então apresentadora e editora-chefe do JN, acompanhou os principais momentos da seleção brasileira, sendo apontada como “musa da Copa”.

Também em 2002 a imprensa vestiu luto com o assassinato do jornalista Tim Lopes. Tim foi assassinado durante uma reportagem sobre abuso de menores e tráfico de drogas em um baile funk no bairro da Penha, do Rio de Janeiro. O crime chocou a população e foi encarado como um cerceamento à liberdade de imprensa, levando o Jornal Nacional a cobrir intensamente o caso, até a prisão de todos os envolvidos no crime.

“A maneira como a Globo se comportou diante dessa tragédia é quase um protocolo sobre como devem atuar todas as organizações de mídia do mundo inteiro. Ser absolutamente transparente. Se nós cobramos a transparência e a verdade de todos em relação a qualquer acontecimento, devemos ser os primeiros a praticar essa transparência, não esconder os fatos. Olhando para trás, certamente é o maior trauma que já vivemos, provoca emoções fortíssimas em todos nós até hoje. Mas diante de uma tragédia inominável, nós e toda a imprensa tivemos um comportamento digno”, ressalta Ali Kamel.

A década foi marcada, ainda, pelas ancoragens externas no Jornal Nacional, quando os apresentadores deixaram a bancada para apresentar o telejornal diretamente das ruas, na cobertura de acontecimentos de grande repercussão nacional ou mundial, como as eleições presidenciais norte-americanas de 2004. Em 2005, com a morte do Papa João Paulo II, William Bonner, apresentador e editor-chefe do JN, ancorou o telejornal ao vivo, do Vaticano. O apresentador repetiu o feito em 2008, na cobertura das eleições que tornaram Barack Obama o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Outro destaque do jornalismo foi a cobertura das eleições presidenciais no Brasil em 2006, com a idealização da Caravana JN. Durante três meses, uma equipe de 15 pessoas, tendo à frente o repórter Pedro Bial, visitou 27 estados de cinco regiões do país para traçar um panorama dos anseios da população e mostrar os contrastes do território brasileiro. A cada 15 dias, o jornalista ganhava a companhia de William Bonner ou de Fátima Bernardes. A equipe viajava em um ônibus adaptado para funcionar como uma redação móvel.

O jornalismo também se valeu de um importante recurso auxiliar em suas operações, o Globocop, cujo projeto de 2006 foi considerado, internacionalmente, o mais completo helicóptero de ENG (Electronic News Gathering) jamais construído, totalmente equipado com tecnologia digital e de alta definição. Os dois helicópteros da emissora, um no Rio e outro em São Paulo, viraram marca de agilidade e precisão na caça à informação.

Além de aprimorar as coberturas, o jornalismo lançou novos programas: o telejornal Globo Notícia (2005), exibido diariamente, em rede nacional, em duas edições curtas; o Radar (2007), boletim que vai ao ar em algumas capitais brasileiras com informações sobre o trânsito e a meteorologia; e o Profissão Repórter (2008), apresentado pelo jornalista Caco Barcellos, que tem como conceito mostrar os bastidores da notícia ao lado de jovens jornalistas.

A partir de julho de 2009, a Globo implantou a Direção-Geral de Jornalismo e Esporte (DGJE). Com a mudança, o jornalista Ali Kamel assumiu a direção da Central Globo de Jornalismo, e Luiz Fernando Lima foi indicado para comandar a recém-criada Central Globo de Esportes (CGESP). Ambos passaram a se reportar a Carlos Henrique Schroder, que assumiu a DGJE.