Destaques

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Desde o lançamento, O Globo privilegiou diversas categorias profissionais que abrilhantaram a produção jornalística ao longo dos anos. Contou com talentos na caricatura, ilustração, fotografia, colunas, seções, cadernos e suplementos. O jornal é um colecionador de prêmios em função da sua qualidade editorial e respeito ao leitor. 


O Bonequinho viu

Ilustrações do caricaturista Luís Sá para a coluna O Bonequinho Viu, 1938. Arquivo / O GloboEm 21 de junho de 1938, saiu pela primeira vez a seção O Bonequinho viu, trazendo a crítica do jornal sobre os filmes em cartaz na cidade do Rio de Janeiro. Criada pelo então vice-presidente de O Globo, Rogério Marinho, por sugestão do jornalista e poeta mineiro Edmundo Lys, a seção começou acompanhando a coluna O Globo nos Cinemas. Na estreia, o jornal apresentou na primeira página os bonequinhos como sendo “calungas”, termo hoje pouco usado, mas que designa figuras de desenhos infantis. As ilustrações foram feitas pelo caricaturista Luís Sá, criador de personagens como Reco-Reco, Bolão e Azeitona, da revista Tico-Tico.

Para dar ao leitor uma opinião sintética sobre as estreias cinematográficas, a seção adotava uma espécie de cotação gráfica. Os bonequinhos simplificam a tarefa do público que deseja apenas saber se um filme é bom ou ruim, dispensando as demais considerações da crítica. Adotando atitudes inequívocas, os “calungas” mostravam quatro graus de qualidade de um filme: ótimo (batendo palmas em pé), bom (batendo palmas sentado), sofrível (dormindo) e ruim (indo embora).

Em 1978, o ilustrador Marcelo Monteiro mudou o visual do bonequinho, retirando a capa de chuva que ele utilizava quando saía do cinema. Foi acrescentado mais um bonequinho, adotando um ar de neutralidade para designar filmes razoáveis. Durante algum tempo, foi utilizada uma cotação na forma de diafragma de objetiva para filmes considerados “de arte”, como os de Ingmar Bergman e os de Jean Luc Godard. O primeiro crítico de O Bonequinho viu foi Edmundo Lys. Escritores consagrados como Orígenes Lessa e José Lins do Rego também escreveram para o bonequinho de O Globo.