O Início

O Início

A gravadora Som Livre foi criada em 1969 com o objetivo principal de pôr à disposição do público as trilhas sonoras das novelas e minisséries da Rede Globo, e ao mesmo tempo incentivar a música popular brasileira, abrindo portas para novos talentos e revitalizando o repertório de músicos tradicionais e consagrados.


Surgimento

O final do contrato com a gravadora que prestava serviços para a TV Globo representou o início da Som Livre. Até o final da década de 1960, as novelas da Globo não tinham trilhas sonoras específicas; em vez disso, eram montadas através de gravadoras que possuíam seu próprio elenco de artistas. Entre 1969, quando lançou músicas para a novela Véu da Noiva, e 1971, a gravadora Philips foi a parceira da Globo nas trilhas.

“Acreditei e acredito neste nosso país. Em sua potencialidade física, seus recursos naturais. Em sua formação étnica, no espírito de suas gentes, capaz de absorver a mais moderna e eficaz tecnologia de produção, sem perder o saudável sentido lúdico da vida.” Roberto Marinho

“Quando terminou o contrato, Boni e Walter Clark viram que as vendagens estavam muito altas, que os discos eram uma mina de ouro, e não renovaram com a Philips. ‘Vamos fazer nós mesmos’, disseram. Essa foi a pedra fundamental da Som Livre”, conta Nelson Motta, produtor musical.

Boni explica como se deu, desde os primórdios da TV Globo, a relação entre música e dramaturgia: “As canções das trilhas sonoras das novelas, minisséries e séries da Globo embalaram sonhos e amores de milhões de telespectadores. Tivemos, na Globo, quatro fases distintas de produção de trilhas para novelas. A primeira, com Nelson Motta, na Philips, foi pacífica e de altíssima qualidade. A segunda ocorreu com a criação da Som Livre. Começou de forma desastrada, mas o João Araújo, conhecedor do mercado, com bom gosto musical e competência administrativa, implantou a Som Livre e fez dela a maior gravadora brasileira na época, apesar do início tumultuado. Mais tarde, a terceira fase ocorreu com a chegada do Guto Graça Mello à Som Livre e à Globo. Depois, com o Mariozinho Rocha, tivemos a quarta fase (...), também de altíssimo nível.”

João Araújo, criador, ex-diretor-geral e atual membro do Conselho da Som Livre  lembra como recebeu o convite para dirigir a nova empresa: “O Armando Nogueira me chamou para falar com o Walter Clark. Na época, expliquei que estava trabalhando na RGE. Passados uns dias, recebi um telefonema do Walter. Marcamos um almoço e saí de lá praticamente contratado para coordenar a nova gravadora que eles estavam montando.”

Em 1971, é criado o selo Som Livre, não apenas para gravar as trilhas sonoras das novelas, mas com o objetivo de incentivar a Música Popular Brasileira, dando oportunidade a novos talentos e revitalizando o repertório dos mais tradicionais e consagrados autores. Logo surgiu também o selo Soma, para atender uma camada de consumidores com o poder aquisitivo mais baixo, lançando no mercado alguns dos melhores momentos da música brasileira e internacional.