Transformações dos anos 1990

Transformações dos anos 1990

Os anos 1990 foram marcados por transformações em O Globo. A direção de Jornalismo foi mudada e houve uma importante reforma gráfica do jornal. O Globo permaneceu conquistando prêmios e inaugurou o novo parque gráfico, um moderno complexo industrial que virou cartão-postal do município de Duque de Caxias.


Novo parque gráfico

O crescimento de O Globo, que chegava a vender um milhão de exemplares aos domingos em função dos fascículos, levou Roberto Marinho a expandir o empreendimento.  O jornal Extra estava para ser lançado e as máquinas rotativas não eram suficientes para imprimir o volume de informação produzido pelos jornalistas.  O grupo de comunicação precisava investir em novas instalações e decidiu criar um novo Parque Gráfico.

Novo parque gráfico dos jornais O Globo e Extra. Fernando Quevedo/Agência O Globo“A discussão era se construiríamos em outro local ou perto do Globo. Essa foi a decisão mais complicada, a localização da planta. Acabamos decidindo por um terreno na Baixada Fluminense”, comentou João Roberto Marinho.

O parque gráfico foi inaugurado, no município de Duque de Caxias, em 12 de janeiro de 1999. O ex-gerente de redação, Argeu Afonso, comenta: “Foi uma necessidade do Globo de, não só em função da tiragem, mas dos vários adendos que o jornal fez. Tínhamos vários cadernos e suplementos. Além disso, a responsabilidade aumentou de acordo com a importância que o jornal já havia conquistado.”

As páginas do jornal passaram a ser transmitidas por ondas de rádio desde a sede, na Rua Irineu Marinho até o novo prédio industrial, onde ficam as rotativas, na rodovia Washington Luís. Os sinais de rádio, com as páginas codificadas, eram emitidos para uma antena no Sumaré, que as retransmitia ao parque gráfico.

A construção do novo parque gráfico foi iniciada em maio de 1997, dois anos antes da inauguração, num terreno de 175 mil m². O ex-diretor financeiro Arthur Almeida conta: “Era uma recomendação do dr. Roberto que as instalações e os ambientes fossem bonitos, funcionais, com bom atendimento. Um lugar onde o funcionário ficasse confortável. Ele queria também o que havia de melhor em termos de máquinas e equipamentos. E o projeto do parque gráfico seguiu esta direção“.

Com o parque gráfico já implantado e em condições de assumir um segundo jornal, O Extra, O Globo reforçou o time de colunistas. A internet começou a ficar importante e o jornal decidiu lançar o Globo Online. O assunto predominante na discussão era o papel do jornal no mundo da informação em tempo real. Das notícias a todo instante.

Merval Pereira recorda: “Começou a ter televisão all News e qual o papel do jornal? Além de dar furo, claro, você tinha que ser um jornal que aprofundasse as questões, que fizesse grandes reportagens, que explicasse as coisas para o leitor. Um dos diferenciais eram os colunistas. Passou a ser importante para o jornal ter um leque de opiniões diversas, as mais diferentes possíveis, para que a maior parte dos leitores pudesse encontrar no jornal alguém que despertasse a polêmica ou que pensasse como ele. Com a reforma gráfica já consolidada, tínhamos páginas de opinião todo dia. Um caderno literário, que O Globo não tinha, o Prosa & Verso, também foi lançado. Foi um momento de grandes transformações e o parque gráfico ampliou a nossa obra.”

O jornalista João Máximo define a visão empresarial de Roberto Marinho: “Dr. Roberto, com mais de 90 anos, faz um parque gráfico e diz assim:  ‘Isso no ano 2030 vai ser um negócio sensacional. Ainda estará vigorando’. Ele tinha uma visão de vida. Assumiu o seu papel de empresário e entendeu o país que viveu e trinfou.”