O Início

O Início

A gravadora Som Livre foi criada em 1969 com o objetivo principal de pôr à disposição do público as trilhas sonoras das novelas e minisséries da Rede Globo, e ao mesmo tempo incentivar a música popular brasileira, abrindo portas para novos talentos e revitalizando o repertório de músicos tradicionais e consagrados.


Pecado Capital

“Samba jamais foi proibido em abertura de novela. A novela Carinhoso já havia usado o chorinho de Pixinguinha. Se chorinho podia, samba também podia em Pecado Capital.” Boni, ex-vice-presidente de operações da Rede Globo.

A novela Pecado Capital entrou na grade da Globo de última hora para substituir Roque Santeiro, que havia sido censurada pela ditadura militar. Boni relembra a correria que influenciou a escolha da trilha sonora – uma das mais famosas produzidas pela Som Livre: “Em Pecado Capital, eu pedi ajuda ao Nelsinho Motta, mas, na correria, a proposta musical que veio não estava de acordo com a ideia do Daniel Filho. Voltei ao Guto Graça Mello. Mesmo sobrecarregado, ele conseguiu o material, mas foi me avisando: ‘Olha, é um samba e eu sei que samba é proibido em aberturas’.  Pura desinformação. Pedi para escutar e era uma beleza. O Guto havia conseguido que o Paulinho da Viola escrevesse um samba original para a abertura, com uma letra que dizia: ‘Dinheiro na mão é vendaval. É vendaval. Na vida de um sonhador’. Caiu como uma luva para a trama da novela e permitiu a criação de imagens perfeitamente sincronizadas com a música.”

Guto revela que a trilha da abertura foi composta durante o final de semana. “Eu tinha, junto com Daniel Filho, a vontade de botar um samba numa novela. Procurei o Paulinho da Viola numa sexta-feira, encomendei a música. Ele veio no sábado e fez na hora, na minha frente: ‘Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval...’” Daniel Filho completa: “Eu e o Guto Graça Mello procuramos uma trilha que tivesse brasilidade. Encomendamos algumas aberturas e veio uma do Paulinho da Viola com uma letra fantástica, que se tornou um clássico da música brasileira. Até aquela época, as aberturas da TV Globo eram sempre músicas muito americanas, com uma batida forte.”