O Início

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Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


Primeira edição

Primeiro número de O Globo, 29/07/1925. Arquivo / Agência O GloboO Globo chegou às bancas, em duas edições diárias, com tiragem de 33 mil exemplares, no dia 29 de julho de 1925. Era vendido por 100 réis. A primeira edição saiu às 18 horas e a segunda às 20 horas. A publicação trazia o logotipo centralizado no topo da primeira página e os nomes dos integrantes da diretoria: Irineu Marinho com director-redactor-chefe, Herbert Moses como director-financeiro e Antônio Leal da Costa como director-gerente.

O presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, comenta a criação do jornal: “Foi uma ação entre amigos. Pessoas que resolveram trabalhar juntas, investindo numa hipótese. Largaram o emprego em A Noite e se mudaram para lá por amizade ao velho Irineu. Eu acho que vem daí o que gente ouviu a vida inteira, a expressão que meu pai usava, ‘meus companheiros’. ‘Meus companheiros’ era como se referir ao ‘meu grupo de trabalho’”.

Mas o sonho de levar o novo jornal adiante durou pouco. O Globo mal começara a circular quando, no dia 21 de agosto de 1925, Irineu Marinho sofreu um infarto e faleceu, aos 49 anos. O filho mais velho, Roberto Marinho, tinha apenas 20. Sobre a morte do pai, ele comentou: “Cheguei em casa às 2 horas da madrugada. Às seis, o alarme. Papai estava trancado no banheiro. Subi numa cadeira e vi pela bandeira da porta. Vi meu pai inerte dentro d’água. Arrombamento, socorros inúteis.”

Após uma consulta familiar, a viúva Francisca Marinho, conhecida por todos como d. Chica, definiu os cargos. Eurycles de Mattos tornou-se o diretor-redator-chefe e Roberto Marinho, o seu secretário.  João Roberto comenta sobre esse momento: “Meu pai foi muito forte. Quando meu avô faleceu, ele e os irmãos herdaram um jornal numa situação muito precária e com uma concorrência acirrada. E esse espírito de luta foi uma coisa que acompanhou a história das Organizações Globo. Criou uma cultura guerreira e uma vontade de conquistar espaço.”