O Início

O Início

Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


Washington Luís deposto

Com esse estilo de fazer jornal, de valorizar a notícia inédita, em 1930, O Globo obteve um furo de reportagem histórico graças ao faro do dono. Roberto Marinho, que na época acumulava o trabalho no jornal com o serviço militar, publicou fotos do presidente deposto Washington Luís deixando o Palácio Guanabara e sendo conduzido ao Forte de Copacabana, onde ficaria preso.

Roberto Marinho flagra o presidente deposto Washington Luís deixando o Palácio da Guanabara. O Globo, 24/10/1930. Arquivo/Agência O GloboAli Kamel, que foi editor chefe de O Globo e atualmente é diretor de Jornalismo e Esporte da Rede Globo,  conta: “A cobertura da Revolução de 30 foi feita pessoalmente pelo dr. Roberto. Washington Luiz se recusava a deixar o palácio, com o cardeal Leme tentando fazê-lo sair. Ele percebeu que o carro presidencial, um Ford bigode, tinha que passar por uma beirinha. Então, ele espalhou galhos no caminho para que o carro desse uma parada e o fotógrafo tirasse a foto. O flash era enorme naquela época. Aí um tenente vai tentar tirar o galho e o dr. Roberto se atracou com ele. A primeira página do jornal nesse dia é clássica. Ela fará parte de qualquer antologia de primeiras páginas importantes no jornalismo brasileiro, porque ele abriu em seis medidas – quer dizer, desculpe, seis medidas são hoje, abriu em oito colunas. A página inteira era Washington Luiz de fraque, com o cardeal Leme, e a notícia da saída dele, com um desenho gráfico muito próximo do que O Globo passou a adotar em 1995, de privilegiar fotos grandes e tudo o mais, com Milton Gleiser e Walter Bernard. O dr. Roberto, em 1930, já fazia aquilo, exatamente aquilo. É uma página belíssima. É uma coisa que vale a pena ver.”