Família

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Roberto Pisani Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904. Foi o primeiro dos cinco filhos do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e da dona de casa Francisca Pisani Barros Marinho, chamada por todos de D. Chica. Tinha uma admiração incondicional pelo pai, de quem seguiu a profissão de jornalista. Da mãe italiana, herdou o faro e o impulso nos negócios. Pai, avô, bisavô, foi uma referência para os filhos, hoje dirigentes das Organizações Globo que levam adiante o legado deixado pelo empresário. 


A morte do pai

“Irineu era uma espécie de ídolo do papai. Um modelo.” (Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo)

Em maio de 1924, Irineu Marinho teve um grave problema pulmonar e foi recomendado pelos médicos a fazer um tratamento numa clínica na Itália. Com a saúde fragilizada e temendo pela sobrevivência do jornal em tempos de conturbação política, decidiu transferir suas ações de A Noite para um dos sócios.  O presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, lembra: “Na conversa com o sócio, meu avô disse: 'Na volta, eu recompro as ações’. Irineu vivia numa época em que os acordos eram feitos 'no fio do bigode', como falavam. Palavra dada era promessa cumprida. E ele não fez um contrato de recompra. Achou que podia confiar no sócio.”

Matéria sobre a morte de Irineu Marinho na Revista Illustração Moderna, 29/08/1925. Arquivo/Acervo Roberto Marinho.Irineu levou uma rasteira e perdeu o jornal. Alguns poucos amigos e companheiros o traíram e colaboraram com o seu afastamento. Mas não todos. Com um grupo deles, criou, em 1925, o jornal O Globo.

Três semanas depois, o fundador sofreu um ataque cardíaco e morreu, aos 49 anos. O corpo de Irineu Marinho foi encontrado pelo filho Roberto: “Às seis horas da manhã, ouvi gritos de minha mãe. Ela batendo na porta do banheiro, que estava fechada. Eu, naquela época, era um atleta. Subi numa cadeira e entrei pela janela, para abrir a porta. Tentei acudir meu pai. Tantos anos se passaram mas eu não posso recordar esse momento sem emoção.”

“Ele me fez jornalista e jornalista serei sempre.” (Roberto Marinho)

Roberto Irineu lembra que o avô era uma importante referência para o pai. “Irineu foi um grande jornalista e criou um tipo novo de noticiar os fatos. Ele era uma espécie de ídolo do papai. Um modelo.”