Arte

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Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Coleção

A coleção de obras de arte de Roberto Marinho tem grandes proporções em todos os sentidos. É composta, principalmente, por peças da arte moderna brasileira e revela a evolução das principais correntes da pintura no século XX. Integram o acervo cerca de 1.100 pinturas, gravuras, desenhos e esculturas de artistas brasileiros como Candido Portinari, José Pancetti, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Guignard, Djanira, Lasar Segall (nascido na Lituânia e naturalizado brasileiro, em 1923), Milton Dacosta, Iberê Camargo, João Câmara, Antonio Bandeira, Carybé, Aldemir Martins, Raymundo de Castro Maya, Ismael Nery, Heitor dos Prazeres, Ariano Suassuna, Cícero Dias, Maria Martins,  Bruno Giorgi, Tomie Ohtake (japonesa naturalizada brasileira), Manabu Mabe, Agnaldo dos Santos, entre outros. Há também 190 obras de estrangeiros, a chamada “presença europeia”, como Rembrandt, Joan Miró, Fernand Léger, De Chirico, Krajcberg, Jean Cocteau, Vittorio Gobbis, Maurice de Vlaminck, Filippo de Pisis, Jean Lurçat, Georges Mathieu, Marc Chagall, André Lhote, Maurice Utrillo, Paul Signac, entre outros.

“Toda coleção privada expõe um ponto de vista pessoal. Uma marca de preferências reveladoras dos diferentes momentos de uma trajetória humana.” (Roberto Marinho)

O atual coordenador do acervo do jornalista, Joel Coelho, conta que o convívio de Roberto Marinho com os pintores era muito próximo na década de 1930, quando ele começou a colecionar suas obras de arte. Joel ressalta o faro do empresário pelo talento de artistas brasileiros que se consagrariam anos mais tarde, como Guignard. O crítico de arte de Belo Horizonte Pierre Santos lembra que houve uma época em que os quadros de Guignard vinham perdendo a cor porque ele poupava tinta. “Ao saber das dificuldades do artista, Roberto Marinho enviou toneladas das variadas marcas de tinta que Guignard usava para pintar suas telas”. O desenho Itaipava, do pintor mineiro, traz a dedicatória “ao Roberto Marinho pela amizade.”

Imagem sacra exposta na casa de Roberto Marinho, no Cosme Velho (RJ), 03/12/1990. Arquivo/Memória GloboE esse tipo de relacionamento reforçou a preferência do jornalista pelos pintores nacionais nos anos 1930, quando a tendência dos colecionadores era pela arte europeia. Além dos quadros, Roberto Marinho também colecionava arte religiosa. Na casa onde morava, havia imagens de santos e peças como paramentos litúrgicos de prata, palmitos de altar, tocheiros, lâmpadas de batismo, teto de púlpito e assoalho de igrejas, que ele nunca deixou sair do Cosme Velho.