Família

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Roberto Pisani Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904. Foi o primeiro dos cinco filhos do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e da dona de casa Francisca Pisani Barros Marinho, chamada por todos de D. Chica. Tinha uma admiração incondicional pelo pai, de quem seguiu a profissão de jornalista. Da mãe italiana, herdou o faro e o impulso nos negócios. Pai, avô, bisavô, foi uma referência para os filhos, hoje dirigentes das Organizações Globo que levam adiante o legado deixado pelo empresário. 


Carta à mãe

Boêmio, atleta, bom de papo, frequentador do Cassino da Urca, mas também um dedicado jornalista que tinha como referência os valores éticos e morais herdados do pai Irineu. No fim da década de 1920, Roberto Marinho conciliava a farra com as tarefas do dia a dia na redação de O Globo, onde trabalhava como redator ao lado dos irmãos Ricardo e Rogério.

Mas era difícil conciliar as responsabilidades em O Globo com o estilo de bon vivant. Em carta à mãe, escrita em 12 de setembro de 1929, de uma fazenda onde se recuperava de excessos da vida boêmia, ele prometia mudar:

“Não sei se desta vez estou realmente cansado da vida agitada... É a primeira vez que te faço promessa escrita, e a esta não faltarei: a de retomar firme o trabalho, evitar os telefonemas exagerados e as demais coisas que possam desprestigiar o Globo. Não quero dar mais a ninguém o ‘gostinho’ de poder fazer comentários maldosos a meu respeito... Se tiveres com o Eurycles, fala sobre a minha permanência na fazenda, a necessidade de descansar de alguns excessos que ultimamente fiz no Rio.”

Roberto Marinho tinha um estilo único, segundo o filho João Roberto: “Era solteirão até os 40 e poucos anos de idade, quando se casou com minha mãe. Morava na Urca, frequentava o Cassino, adorava ir para lá à noite e assistir aos shows. Aos 35 anos, começou a montar cavalos, e, enquanto não estava ali, ganhando as provas, não sossegava. Era um obstinado.”