Cultura

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Roberto Marinho tinha sensibilidade para as artes plásticas, mas também foi um apreciador de música, teatro, cinema e literatura. Desenvolveu um gosto apurado pela cultura que o acompanhou por toda a vida. Abriu a casa do Cosme Velho para apresentações artísticas. Criou uma farta biblioteca e fez parte da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A consagração veio em 1993, quando se tornou “imortal” da Academia Brasileira de Letras.


Cinema e teatro

Roberto Marinho foi ligado à cultura desde a juventude. As artes em geral ajudaram a moldar a sua identidade. Na adolescência, assistiu à montagem de quase todas as tragédias gregas num teatro armado no Campo de Santana, no Rio. “Culturalmente, era um deslumbramento. Hoje, em função dos meus muitos afazeres, não tenho ido ao teatro como desejaria. Mas é costume meu, ao chegar a qualquer lugar, verificar a agenda da cidade. Em Nova York, por exemplo, não resisto ao Lincoln Center e ao Metropolitan”.

O jornalista costumava frequentar o Theatro Municipal do Rio de Janeiro para assistir óperas, uma de suas paixões. Em 1975, esteve presente em espetáculos como a Tosca e na apresentação do Balé Inbal, de Israel.

Joffre, motorista de Roberto Marinho, passa um filme para as crianças no aniversário de três anos de José Roberto Marinho. 26/12/1958. Arquivo/Memória Globo O cinema foi outra arte apreciada por Roberto Marinho. O presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, conta que o pai habituou a família a, desde cedo, assistir a bons filmes. “Tenho a lembrança do tempo em que o Joffre passava os filmes com uma maquininha de 16 mm, aqueles rolos enormes... Eu devia ter 12, 13 anos.” João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, lembra que o empresário gostava de convidar os amigos para assistir a um filme e, depois, oferecer um jantar no Cosme Velho.

 

Entre os filmes preferidos estavam Luzes da Cidade e O Garoto, de Chaplin; M, de Fritz Lang, com Peter Lorre; e Ladrão de Bicicleta, de Vittorio de Sica. “Cito também  Júlio César, de Joseph L. Mankiewicz, que reúne excelentes atores, entre eles Marlon Brando, John Gielgud, James Mason e Louis Calhern, impagável como César. Também vi com prazer quase todos os filmes de Frank Capra.”

Do cinema nacional, o jornalista apreciava Limite, de Mário Peixoto, O Cangaceiro, de Lima Barreto, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.

“Limite, O Cangaceiro e Deus e o Diabo na Terra do Sol são três grandes momentos do cinema.” (Roberto Marinho)

Roberto Marinho participou de encontros memoráveis com diretores e artistas estrangeiros. Na companhia da mulher, Stella, do irmão Rogério e da cunhada, passou um dia nos estúdios de Hollywood, nos Estados Unidos. Conheceu o diretor Alfred Hitchcock e o ator Henry Fonda. Com a família, jantou com uma das estrelas de filmes de Hitchcock, Taina Elg.