Curiosidades

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Mergulhos arriscados, regatas perigosas com escritor famoso, até partidas de sinuca com arcebispo, transformaram a vida esportiva de Roberto Marinho numa trajetória cheia de aventuras com finais surpreendentes.


Sinuca

Dom Hélder Câmara foi parceiro de Roberto Marinho num esporte clandestino na época: a sinuca. No livro Dr. Roberto, o empresário Almeida Braga conta que, muitas vezes, eles saíam para jogar antes do almoço. “Como o jornal ainda não estava pronto, Roberto deixava o paletó nas costas da cadeira, para dar a impressão de que só se afastara de sua mesa para ir ao banheiro ou às oficinas, e sumia com D. Hélder”. Os dois ficaram muito próximos e, anos depois, o religioso tornou-se o padrinho do filho mais novo, José Roberto.

No boxe, a luta também serviu de base para o desenvolvimento de projetos sociais. Um deles foi o torneio Luvas de Ouro, promovido pelo jornal O Globo, que levava o boxe aos subúrbios em ringues armados em praça pública.

A trajetória esportiva de Roberto Marinho é permeada de histórias com final interessante. Uma delas foi vivida com o escritor Nelson Rodrigues durante uma regata de remo que saía do Leblon com destino a Santos, num percurso de 200 milhas marítimas. A prova não foi autorizada pela Capitania dos Portos e os atletas saíram escondidos do Rio de Janeiro. Dois dias depois, sem notícias dos participantes, Roberto Marinho e Nelson Rodrigues foram procurar os atletas numa lancha, que enguiçou perto da Ilha Grande. A tentativa de conserto gerou um curto-circuito, que desencadeou um princípio de incêndio. A tripulação foi resgatada por pescadores que ouviram os tiros feitos pelo jornalista na tentativa de acertar gaivotas.

Roberto Marinho foi um homem do mar. Numa de suas aventuras marítimas, ele quase ficou preso numa toca. José Aleixo lembra que a história foi vivenciada, e contada num jantar, pelo empresário da comunicação Rupert Murdoch. “Dr. Roberto foi nadar e viu um tubo lá embaixo, no chão, no mar. O que ele fez? Entrou no tubo. Quando estava na metade, pensou assim: ‘E se não tiver saída?’ Ele considerava isso uma das maiores burrices que fez na vida. Mas ele era um predestinado. Não acreditava que algo pudesse acontecer. Com 95 anos, subia e descia degraus. Graças ao esporte, nunca fumou, nunca bebeu, nunca usou drogas. Sempre teve uma vida saudável”.