Perfil

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“Não sei se sou consequência das minhas qualidades ou dos meus defeitos. As minhas qualidades são conhecidas por poucas pessoas que convivem comigo. E os meus defeitos são apontados por muitas pessoas que me desconhecem. Eu não sei se devo preferir o conceito das pessoas que me desconhecem ou daquelas que convivem comigo. De modo que eu deixo essa questão com a admirável plateia que me escuta.” (Roberto Marinho, em discurso na Universidade Sorbonne, em Paris, França)  


Dedicação e carisma

A dedicação de Roberto Marinho ao trabalho impressionava os funcionários. O jornalista Pedro Rogério comenta: “O passado de jornalista diário, de jornalista ali, no combate, na mesa da secretaria de redação, isso impregnou a alma dele. Ele nunca deixou de ser um jornalista. Nós, os jornalistas de todas essas redações, nos referíamos ao Dr. Roberto como um companheiro nosso. Mesmo sem vê-lo, era um companheiro. Isso é carisma.”

Péricles de Barros, ex-gerente de Promoções de O Globo, recordou a presença do jornalista à frente da empresa: "Ele tinha uma vontade de participar enorme. Eu terminava de fazer um concerto em Brasília, e, em pouco tempo, o telefone tocava. Era ele querendo saber como tinha sido. E a diretoria do Globo, maravilhosamente participante, confiante. É por essas razões que eu atribuo um percentual poderosíssimo no sucesso.”  

Para o humorista Paulo Silvino, Roberto Marinho também personificava o conceito de carisma e de respeito: “O carisma de Dr. Roberto era uma coisa fantástica. Era aquela pessoa que a gente tinha a impressão de que até os filhos, em vez de chamar de papai, chamavam de 'Dr. Roberto'. A honradez e a força de trabalho desse homem eram impressionantes.” 

Roberto Marinho recebe homenagem surpresa dos funcionários de O Globo pelo aniversário de 60 anos do jornal, 29/07/1985. Eurico Dantas/Agência O GloboJoão Roberto lembra, também, que o pai tinha um grande respeito pelos empregados: “Tratava todo mundo de igual para igual. O nível hierárquico não tinha tanta importância porque ele achava que cada um tinha uma contribuição a dar. Ele gostava de conversar com os funcionários, para poder ouvir e entender as dificuldades. E, também por isso, era respeitado e admirado.”

Octávio Florisbal, ex-diretor-geral da TV Globo e atual membro do Conselho de Administração das Organizações Globo, trabalhou com Roberto Marinho durante quase 30 anos. Guarda do jornalista a imagem de um pioneiro nas comunicações. Um homem de grande atuação em todos os níveis, de visão aguçada e atento às suas empresas. “Dr. Roberto dizia que, quando assumiu O Globo, tinha duas preocupações. Uma com os jornaleiros que distribuíam o seu jornal e outra com os publicitários, que iam buscar as receitas para tocar o jornal.”

Jorge Tiziano, ex-gerente de Operações, lembra um episódio que ilustra essa preocupação. Mesmo tendo sofrido um acidente hípico e quebrado algumas costelas, Roberto Marinho não desmarcou uma reunião com os jornaleiros. “Fez a reunião no Cosme Velho, de cadeira de rodas, com as costelas quebradas. Em todos os eventos se fazia presente, não deixava de comparecer. Era muito presente na vida do jornal.”

Octávio Florisbal argumenta que o crescimento e a vitalidade dos veículos de comunicação de Roberto Marinho devem-se, em grande parte, às iniciativas dele. “Dr. Roberto sabia da importância do mercado publicitário, esse setor no qual os veículos iam buscar suas verbas. Tinha a percepção de que a independência econômica garantia a liberdade de expressão, a livre iniciativa, o direito de informar e de ser informado.”