Automobilismo

Automobilismo

No início do século, o carro de corrida, em geral, era sem capota e tinha dois lugares. Mas foi num Voisin – um modelo francês, com quatro portas e de linhas avançadas para a época – que Roberto Marinho participou da sua primeira corrida, em 1933. Daí para a frente, a paixão pelo automobilismo não parou mais. O jornalista gostava de dirigir em alta velocidade e ganhou o primeiro carro hidramático do Brasil, um Oldsmobile.


Disputa nas pistas

Fora das pistas oficiais, Roberto Marinho gostava de praticar o automobilismo. E de correr, como lembra o amigo e editor, José Mário Pereira: “Gostava de dirigir em alta velocidade, o que lhe custou dois acidentes – um na Praia de Botafogo, outro na antiga rodovia Rio-Petrópolis, que então passava por dentro de Duque de Caxias –, para aflição da mãe, Francisca (Dona Chica, para os próximos), a quem era muito unido”.

Costumava também apostar corrida com os amigos Raymundo Castro Maya e Manuel de Teffé. No começo da década de 1950, começou a construir uma fazenda à beira-mar de São Pedro da Aldeia – propriedade que ficou conhecida como Cardeiros. As idas a São Pedro eram animadas pelas disputas travadas com Castro Maya para ver quem fazia o trecho Niterói-São Pedro no menor tempo. Roberto Marinho chegou a comprar correntes para os pneus do carro para cortar caminho por um trecho de terra alta e lama. Tudo para ganhar a competição.

Roberto Irineu Marinho relembra: “Eles tinham uma disputa danada. Faziam o trajeto em 10, 11 horas. Um dia, Raymundo disse: 'Fiz em oito horas e meia'. E meu pai: 'Como, em oito horas e meia? Não pode, Raymundo. Você está mentindo, não está?' No fim de semana seguinte, papai pediu ao motorista para pegar o carro e seguir Raymundo. Raymundo, em vez de contornar aquela serra de Maricá, parou o carro, botou correntes de pneu, que se usa em neve, e subiu a Serra de Maricá; desceu do outro lado, passando por cima da lama. Na semana seguinte, ou 15 dias depois, papai estava com correntes de neve. Chegou dizendo: “Eu fiz em oito horas.”