Perfil

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“Não sei se sou consequência das minhas qualidades ou dos meus defeitos. As minhas qualidades são conhecidas por poucas pessoas que convivem comigo. E os meus defeitos são apontados por muitas pessoas que me desconhecem. Eu não sei se devo preferir o conceito das pessoas que me desconhecem ou daquelas que convivem comigo. De modo que eu deixo essa questão com a admirável plateia que me escuta.” (Roberto Marinho, em discurso na Universidade Sorbonne, em Paris, França)  


Fala mansa

Amigos recordam Roberto Marinho como um homem tranquilo. “Ele tinha a fala mansa, não levantava a voz e usava a mesma naturalidade ao dirigir-se a uma autoridade nacional ou internacional, a um de seus diretores ou ao mais humilde dos empregados. Era querido por todos”, lembra o editor José Mário Pereira.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente de Operações da Globo, recorda que Roberto Marinho não gostava de discutir com ninguém. "Eu nunca ouvi uma bronca do Dr. Roberto. E nunca ouvi ele dar uma bronca em nenhum funcionário dele, nenhum companheiro de diretoria e nem em funcionário. Não era do feitio dele.”

“Eu nunca ouvi uma bronca do Dr. Roberto. Não era do feitio dele.” (Boni, ex-vice-presidente de Operações da Rede Globo)

O ex-assessor Cláudio Mello e Souza tinha opinião semelhante quanto ao tom de voz, mas discordava em relação à bronca. “Quanto mais baixo ele falasse, mais terrível era a descompostura que ele estava dando. Quando você via a pessoa quase sem ouvir direito o que dizia o Roberto Marinho, saía do lugar pálido e trêmulo. Você podia  imaginar o que fora sussurrado pela voz rouca e absolutamente calma dele.”

Joe Wallach, ex-diretor administrativo-financeiro da Rede Globo, lembra que Roberto Marinho era um homem moderado. “Nunca o ouvi levantar a voz. Se alguém fizesse alguma coisa contra ele, ia à loucura, mas em voz baixa.”

“Se alguém fizesse alguma coisa contra ele, o Roberto Marinho ia à loucura. Mas em voz baixa.” (Joe Wallach, ex-diretor administrativo-financeiro da Rede Globo)

Jorge Tiziano, ex-gerente de Operações de O Globo, relembra: “Dr. Roberto era uma pessoa que não falava alto com ninguém. Até para chamar atenção era educado. Mas extremamente rígido.”

Armando Nogueira dizia que Roberto Marinho também sempre procurava usar a palavra justa: "A minha sensação era a de que ele estava sempre procurando a palavra exata, para não gerar uma dúvida na cabeça do interlocutor. Ele parava, pensava para dizer alguma coisa que ele achava. A formulação do pensamento dele era pausada.”

Além do jeito educado de dirigir-se aos funcionários, Roberto Marinho não perdia a maneira suave de questionar seus diretores sobre os mais espinhosos assuntos. Acatava as decisões mesmo que discordasse delas. Evandro Carlos de Andrade contou que, quando assumiu a redação de O Globo, quis demitir um dos colaboradores, apesar do desejo contrário do empresário: “Dr. Roberto chegou para mim e disse, delicado: ‘Você sabe que quem cuida das sucursais aqui é o Luiz Paulo? Um amor de sujeito, gosto muitíssimo do Luiz Paulo, uma pessoa maravilhosa.’ Eu disse: ‘É o Luiz Paulo, Dr. Roberto. Mas não pode ser ele a demitir porque é o diretor de administração. Não tem nada a ver com redação. Redação é comigo.’ Ele deixou passar, e eu demiti o funcionário.”