Uma trajetória liberal

Uma trajetória liberal

Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso, Roberto Marinho e funcionários na inauguração do Parque Gráfico de O Globo, em Duque de Caxias, 12/01/1999 . Gabriel de Paiva/Agência O GloboPara o então presidente Fernando Henrique Cardoso, a amizade com Roberto Marinho era intensa e recíproca. “Ele nunca me pediu nada, e eu, também, jamais peguei o telefone para falar com ele, pedir alguma coisa ou reclamar. Nada. Nunca foi preciso. Eu nunca tive motivo de inquietação ou de queixa com a TV Globo, mesmo na época em que todo mundo dizia que a TV Globo era um fantasma. Comigo não, comigo não! Agora, ele sempre me disse que o negócio dele era o jornal. Ele sabia da importância da TV, mas se sentia homem de jornal. Uma pessoa de sensibilidade política, entendia do jogo de poder e tinha essa vocação para a notícia, o jornalismo, uma visão do que deveria ser o jornalismo. Ele falava com muito orgulho que nunca havia deixado na mão o pessoal de esquerda, os comunistas do jornal, na época da repressão.”

Um ano depois de reeleito para o segundo mandato, Fernando Henrique Cardoso foi convidado por Roberto Marinho para a inauguração do novo parque gráfico onde seria rodado o jornal O Globo, em Duque de Caxias, no Rio.