Perfil

Perfil

“Não sei se sou consequência das minhas qualidades ou dos meus defeitos. As minhas qualidades são conhecidas por poucas pessoas que convivem comigo. E os meus defeitos são apontados por muitas pessoas que me desconhecem. Eu não sei se devo preferir o conceito das pessoas que me desconhecem ou daquelas que convivem comigo. De modo que eu deixo essa questão com a admirável plateia que me escuta.” (Roberto Marinho, em discurso na Universidade Sorbonne, em Paris, França)  


Generosidade

A generosidade era um dos aspectos da personalidade de Roberto Marinho que sensibilizava as pessoas que conviviam com ele. Comprava quadros de pintores que ainda não faziam sucesso só para ajudar os artistas. Para Guignard, chegou a fornecer as tintas para que os quadros não perdessem a cor, cada vez mais rara nas telas do mineiro. "Contam que Dr. Roberto mandou entregar na casa do Guignard um caminhão cheio de tintas", relata Joel Coelho, coordenador da coleção de Roberto Marinho.

O editor José Mário Pereira destaca outro exemplo da nobreza de Roberto Marinho com os amigos. Um desses companheiros era o jornalista Franklin de Oliveira: “Era tal a camaradagem com o Franklin que, quando o jornalista sofreu um infarto, Dr. Roberto mandou a secretária verificar o que ele precisava. Ele também ia, diariamente, ao hospital, pela manhã, e ficava rememorando os velhos tempos de redação com o companheiro. Houve época em que figuras ligadas ao regime militar pediram a demissão de Franklin do jornal O Globo, acusando-o de comunista. Ouviram a negativa: ‘No meu jornal, mando eu’."

O dramaturgo Nelson Rodrigues foi outro grato colaborador de Roberto Marinho. Com uma doença grave, em 1953, o escritor recebeu uma ajuda do patrão que lhe salvou a vida. Foi o próprio Nelson quem contou na época: “Um dia, caí doente, muito doente. Febre alta, tosse, o diabo. Tiro radiografia: lesão pulmonar. Eu devia subir para o sanatório de Campos do Jordão imediatamente. Mas não tinha um níquel no bolso. Era tal o meu estado de fraqueza que me vinha, por vezes, uma  certa nostalgia da morte. E o Roberto Marinho não me deu nenhum chute. Deixei o Rio, passei três anos fora, em tratamento. E ele pagou, piamente, integralmente, o meu ordenado até o fim. Voltei a O Globo. Ao me ver, ele disse: ‘Alô, Nelson!’ Foi só."