Uma trajetória liberal

Uma trajetória liberal

Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Itamar Franco

Itamar Franco assumiu a Presidência da República após o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Junto com o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, implantou o Plano Real. O então presidente não teve uma convivência significativa com Roberto Marinho. Mas os dois trocaram bilhetes e telegramas, com críticas e elogios de ambas as partes.

Roberto Marinho e Itamar Franco no gabinete da presidência da TV Globo, 26/08/1986. Arquivo/Memória GloboEm 1993, Roberto Marinho encaminhou uma carta a Itamar referindo-se à modernização dos portos brasileiros. O jornalista dizia que essa era uma antiga aspiração dos empresários. Elogiou a lei que determinava o fim dos monopólios das Companhias Docas e dos sindicatos dos trabalhadores que controlavam as operações de carga e descarga, mas fez duras críticas à demora na implantação da lei: “Um flagrante desrespeito à autoridade do presidente, por força das manobras indisfarçadas e impatrióticas dos grupos corporativistas que perderão seus privilégios.” Itamar Franco respondeu, agradeceu a preocupação do empresário e prometeu providências.