Perfil

Perfil

“Não sei se sou consequência das minhas qualidades ou dos meus defeitos. As minhas qualidades são conhecidas por poucas pessoas que convivem comigo. E os meus defeitos são apontados por muitas pessoas que me desconhecem. Eu não sei se devo preferir o conceito das pessoas que me desconhecem ou daquelas que convivem comigo. De modo que eu deixo essa questão com a admirável plateia que me escuta.” (Roberto Marinho, em discurso na Universidade Sorbonne, em Paris, França)  


Jeito de ser

A vontade de viver por muitos anos, e bem, fez com que Roberto Marinho mantivesse hábitos saudáveis. Praticou esporte, como a caça submarina, quase até os 80 anos. Não comia em excesso. “Não que fizesse dieta: vez por outra encarava até pratos suculentos, mas a preferência era por peixe grelhado com batatas cozidas”, conta o editor José Mário Pereira. No jornal, lembra o amigo José Luiz Magalhães Lins, “era bife com purê de espinafre e gelatina. E depois do almoço, ele dormia um pouco numa espécie de apartamento que mantinha no Globo, com uma sala de visita, uma mesa para almoçar e um quartinho com uma cama.” 

Os cochilos que tirava no jornal recuperavam as noites mal-dormidas. Roberto Marinho tinha insônia. Mas acordava cedo, conta o mordomo Edgar: “Tomava o café da manhã e lia os jornais no quarto.”

O jornalista vivia do jeito que gostava e adorava estar na ativa.“Faço aqui, sem temor à frase feita, o elogio ao trabalho. Ele dignifica o homem. É no esforço diário da produção, seja batendo pregos ou compondo poemas, que cada um de nós justifica a sua participação na sociedade. Pobres daqueles que veem em seus esforços unicamente uma forma de ganhar o sustento e não uma contribuição de natureza social, destinada ao bem comum.”

“Seja batendo pregos ou compondo poemas, que cada um de nós justifica a sua participação na sociedade.” (Roberto Marinho)

Quando não estava em O Globo, para onde ia todas as manhãs, e na TV Globo, que frequentava na parte da tarde, o jornalista gostava de receber os companheiros em casa. O ex-assessor, José Aleixo, amigo e confidente até o final, lembra ter assistido a muitos filmes no cinema de 40 lugares que Roberto Marinho mantinha em casa. “Eu e ele ali, vendo Os Três Tenores. Víamos os peixes, aquelas carpas japonesas lindíssimas, de todas as cores. E os flamingos, maravilhosos.”