Uma trajetória liberal

Uma trajetória liberal

Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Juscelino Kubitschek

Em 1955, o poder estava sendo disputado entre Juarez Távora, da UDN, e Juscelino Kubitschek, do PSD. Roberto Marinho apoiou a candidatura de Távora, mas quem ganhou a eleição foi JK. “Houve um encantamento inicial. Mas meu pai achava Juscelino muito sonhador e criticava os excessos de gastos do governo”, diz João Roberto. Apesar da oposição ao governo e ao projeto de construção de Brasília, retirando do Rio de Janeiro o título de capital da República, O Globo deu ampla cobertura ao plano de metas de Juscelino.

João Goulart, Juscelino Kubitschek e Roberto Marinho, 1959. Arquivo/Agência GloboDois anos depois, o presidente JK autorizou a concessão do canal 4 à Rádio Globo. O pedido, aprovado seis anos antes no governo Dutra e rejeitado dois anos depois por Getúlio Vargas, era finalmente acatado. No governo Juscelino, Roberto Marinho recebeu a Ordem Nacional do Mérito. O brinde foi ao lado do presidente e do vice-presidente, João Goulart. No fim do mandato na Presidência, Juscelino Kubitschek enviou uma carta a Roberto Marinho, escrita de próprio punho, agradecendo a crença do empresário no desenvolvimento do Brasil.