Brasil

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Seleção de artigos, editoriais, entrevistas e discursos do jornalista e empresário Roberto Marinho sobre a política nacional e os rumos do Brasil. 


O Globo e os ideais da revolução

O Globo, 20/1/1990, p. 1. Arquivo / Agência O GloboAo deixar comprovado, em recente conversa com correspondentes internacionais, que a Rede Globo nunca recebeu qualquer concessão de canais, durante os governos militares, objetivei reiterar, mais uma vez, que participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, então ameaçadas pela radicalização ideológica, greves políticas, desordem social e corrupção generalizada.

Em editorial que assinei, publicado em nossa edição de 7 de outubro de 1984, sob o título “Julgamento da Revolução”, tive oportunidade de lembrar que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, “por exigência inelutável do povo brasileiro”.

Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um “pronunciamento” ou “golpe” com o qual não estaríamos solidários.

No momento em que o processo de redemocratização se implantava, em 1984, julgamo-nos na obrigação de ressaltar as conquistas sociais e econômicas dos governos revolucionários, ao mesmo tempo em que advertíamos sobre a necessidade de se evitarem as manobras casuístas que se tramavam contra a volta do país ao estado de direito.

Fomos claros ao enunciar que “adotar outros rumos ou retroceder” seria “trair a revolução no seu ato final”.

Agora, ao esclarecer que não recebemos favores ou privilégios de qualquer natureza, em troca de uma colaboração que visava exclusivamente ao atendimento dos interesses nacionais, desejamos simplesmente reiterar a coerência que mantemos com a trajetória de O Globo, desde os tempos da Aliança Liberal, quando lutamos contra os vícios da Primeira República, pugnando sempre por uma autêntica democracia.

Roberto Marinho. O Globo, 20/1/1990