Arte

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Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


O século de um brasileiro

Nélida Piñon e Arnaldo Niskier observam obra O Vale (Campos do Jordão) de José Pancetti na inauguração da exposição O Século de um Brasileiro: Coleção Roberto Marinho, no Paço Imperial. 02/12/2004. Arquivo/Agência GloboEm 2004, um ano após a morte de Roberto Marinho, o Paço Imperial, no Rio de Janeiro, voltou a abrigar parte do acervo na exposição O Século de um Brasileiro: Coleção Roberto Marinho. A mostra fazia parte da comemoração do centenário do jornalista e contou com 240 obras organizadas em três setores: Água, Terra e Ar. Reuniu trabalhos de Pancetti, Antonio Bandeira, Portinari, Di Cavalcanti, Guignard, Chagall, De Chirico, Raymundo Castro Maya, entre outros. 

O curador Lauro Cavalcanti comentou os critérios de escolha do jornalista no ato da compra de uma obra de arte:

“Um colecionador particular é movido pela paixão. Pela arte e pela identificação com trabalhos que traduzam afetos, lembranças, experiências e visões de mundo. O colecionador passa a “falar” através das obras que reuniu. Por mais que nenhum indivíduo seja uma ilha e que dentro dele coexistam o seu ser singular, a carga genética e o meio social, as decisões de um colecionador são individuais e, até certo ponto, solitárias.”

Durante a preparação dessa exposição, o administrador da coleção, Joel Coelho, descobriu uma confusão que durava quase 50 anos. Dois quadros pintados por Pancetti em 1941 tiveram destinos diferentes. Um foi para a coleção de Roberto Marinho e o outro para o Museu Nacional de Belas Artes. As duas telas do artista, O Chão e Rua do Subúrbio, eram muito parecidas e foram trocadas na devolução da mostra individual do pintor, realizada em 1955, no MAM do Rio. O equívoco foi desvendado por Joel graças a uma anotação feita a lápis no verso do quadro. A exposição realizada no Paço Imperial foi escolhida em 37º lugar no ranking da Revista Bravo dentre as cem melhores exposições de arte que a revista resenhou em oito anos de publicação.