Perfil

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“Não sei se sou consequência das minhas qualidades ou dos meus defeitos. As minhas qualidades são conhecidas por poucas pessoas que convivem comigo. E os meus defeitos são apontados por muitas pessoas que me desconhecem. Eu não sei se devo preferir o conceito das pessoas que me desconhecem ou daquelas que convivem comigo. De modo que eu deixo essa questão com a admirável plateia que me escuta.” (Roberto Marinho, em discurso na Universidade Sorbonne, em Paris, França)  


Olhar de psicólogo

Independente de chamar a atenção sobre possíveis falhas no trabalho, Roberto Marinho sabia escolher seus colaboradores. Os filhos, e muitos que dividiram as redações com ele, são unânimes em reconhecer a humildade, o senso de justiça e o talento para formar o time de funcionários.

O vice-presidente das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto,  diz que a principal característica do pai que lhe vem à cabeça era a capacidade de “radiografar” as pessoas: “Ele percebia a qualidade das pessoas, os defeitos, o temperamento, numa rapidez impressionante. Isso era fundamental. Uma questão de sobrevivência. Ele via quem estava realmente querendo ser parceiro. E, depois, o espírito de fazer justiça. Ele tinha muita capacidade de trabalho, mais do que todos nós. Ele era um workaholic."

“Ele tinha a capacidade de ‘radiografar’ as pessoas. Perceber as qualidades, os defeitos, o temperamento.” (José Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo)

João Roberto, vice-presidente das Organizações Globo e presidente do Conselho Editorial,  também destaca a capacidade do pai em identificar as pessoas nos primeiros minutos de diálogo: “Ele era capaz de perceber alguém, pela primeira vez, depois de conversar 15, 20 minutos. Tinha uma capacidade de ouvir incrível. O convidado ia embora, e ele traçava o perfil dessa pessoa.” 

No lugar de planejamento estratégico, o empresário e jornalista usava mesmo era o instinto. O presidente das Organizações Globo,  Roberto Irineu, comenta: "Ele era um sujeito de grande intuição. Tanto que a Globo cresceu com a intuição dele. Ele formou uma equipe maravilhosa. Escolhia gente boa, talentosa, com muita observação pessoal. Com cinco minutos de conversa, sabia se a pessoa servia, se era de bom caráter, para onde seria útil. Ele tinha uma excepcional capacidade de avaliar as pessoas." 

“Era um sujeito de grande intuição, com uma excepcional capacidade de avaliar as pessoas” (Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo)

Outros companheiros lembram este aspecto da personalidade de Roberto Marinho, como o executivo Joe Wallach: “Dr. Roberto era um homem que entendia as pessoas. Ele era sensacional nisso. ‘Fotografava’ as pessoas em dois minutos.”

O ex-assessor Jorge Rodrigues também concordava que Roberto Marinho conseguira erguer o seu grupo de comunicação porque, como homem de visão, sabia escolher as pessoas com quem iria trabalhar. “Walter Clark foi um grande diretor nosso! Devemos muito ao Boni. Roberto Marinho conhecia as pessoas como ninguém. Foi por isso que conseguiu fazer O Globo, a TV Globo...”

“Ele era um psicólogo de mão cheia.” (João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo)  

O amigo e colaborador Arthur Peixoto também achava que um dos grandes méritos do jornalista era a sabedoria para contratar as pessoas certas. “Ele acreditava nos outros. Era uma pessoa que só completava, jamais dava para trás. Ele tinha feeling. Botava todas as fichas em cima de uma coisa só porque ele acreditava que a coisa daria certo. Com a TV Globo foi assim.”