Arte

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Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Pancetti

Roberto Marinho conheceu Pancetti quando o artista ainda era marinheiro. Pancetti se destacava por pintar paisagens marinhas. A paixão pelo mar pode ter sido o elo entre os dois. O ateliê do pintor ficava perto do jornal O Globo e não eram raros os encontros entre o colecionador e o artista.  Na coleção, existem telas dedicadas a Roberto Marinho. Uma delas é Boneco, de 1939, um dos quadros preferidos do empresário. A tela foi um presente de noivado de Pancetti para Roberto Marinho e Stella Goulart, e tem a dedicatória: “Aos noivos com carinho.” Joel Coelho diz que a obra ficava muito bem guardada: “Essa obra não ficava em lugar nenhum da casa. Ficava comigo, na reserva. Às vezes, eu botava na sala de estar, num canto, mas por pouco tempo.” Quando o jornalista faleceu, segundo Joel Coelho, Lily Marinho pediu que o quadro ficasse no quarto dele, em cima da cabeceira da cama. 

Ao referir-se ao quadro na exposição Paixões Secretas de Gente Muito Importante, Roberto Marinho escreveu: "Toda vez que olho esse pequeno quadro de Pancetti, tenho a comovida sensação de estar olhando para dentro de mim mesmo. Tem ele um poder evocativo que me fascina, pois que dentro desse boneco há um menino, envolto de solidão, mistério e fantasia.

Indiferente ao passar do tempo, como se algo de eterno o preservasse, o menino que pressinto dentro do Boneco vive em algum cercado de frutas – a pera, a ameixa, a laranja –, ele as transforma em brinquedos simples e coloridos. E com eles cria o seu mundo de sonhos e de paz.

Minha secreta paixão por esse quadro talvez se explique pelo fato de eu vê-lo como um símbolo do momento solitário em que o menino desenha, com as cores da pureza, o futuro do homem que ele será um dia.”

Recepção para Pancetti

Roberto Marinho começou a comprar obras de Pancetti na década de 1930, quando o artista ainda era desconhecido do público. Fazia recepções em casa para mostrar os quadros do pintor aos convidados. O coordenador do acervo, Joel Coelho, recorda que a amizade entre os dois se fortaleceu quando Pancetti esteve internado, em 1957, com tuberculose. Roberto Marinho o visitava semanalmente, às vezes com Stella Goulart. Ainda no hospital, Pancetti fez um desenho dedicado aos dois amigos e admiradores.

O núcleo Pancetti  na coleção Roberto Marinho é fruto dessa amizade e admiração entre eles. Dentre os quadros da coleção, destacam-se obras que retratam paisagens marinhas como as séries Itapoã e Bahia, os quadros Abaeté e Lagoa Abaeté e Ilha do Viana. Há também obras que revelam paisagens urbanas, como a série Mangaratiba e o quadro Rua do Subúrbio.