Família

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Roberto Pisani Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904. Foi o primeiro dos cinco filhos do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e da dona de casa Francisca Pisani Barros Marinho, chamada por todos de D. Chica. Tinha uma admiração incondicional pelo pai, de quem seguiu a profissão de jornalista. Da mãe italiana, herdou o faro e o impulso nos negócios. Pai, avô, bisavô, foi uma referência para os filhos, hoje dirigentes das Organizações Globo que levam adiante o legado deixado pelo empresário. 


Stella Marinho: o amor e a família na maturidade

Os noivos Stella e Roberto Marinho, na residência do casal, no Cosme Velho, RJ, 24/12/1946. Arquivo/Memória GloboRoberto Marinho se casou aos 42 anos com Stella Goulart, pertencente a uma ilustre família de São Paulo. A cerimônia aconteceu na véspera do Natal de 1946, a mesma data do casamento dos seus pais, Irineu e Francisca. O primeiro encontro dos dois foi na hípica do Rio de Janeiro, e a amizade os levou ao altar da igreja do Outeiro da Glória. A recepção foi na casa do Cosme Velho, em cerimônia rápida, discreta, publicada na revista Rio.

O jornalista viveu com Stella Marinho durante 24 anos. Tiveram quatro filhos: Roberto Irineu, Paulo Roberto (falecido num acidente de carro em 1970), João Roberto e José Roberto. Nos anos seguintes ao casamento, Roberto Marinho concluiu as obras na famosa casa do Cosme Velho e construiu uma residência de praia em  São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, Rio de Janeiro. A propriedade chamava-se Cardeiros, uma espécie de fazenda à beira-mar.  

Família Marinho em sua residência no Cosme Velho, RJ. Paulo Roberto Marinho, Stella Marinho, com José Roberto Marinho no colo, Roberto Irineu Marinho e Roberto Marinho, com João Roberto Marinho no colo, 26/12/1955. Arquivo/Memória Globo

No Cosme Velho, o empresário e Stella Marinho receberam a nata da cultura brasileira e do exterior. Ligada às artes em geral, Stella chegou a recepcionar convidados em casa para assistir a uma apresentação exclusiva da companhia de balé da Ópera de Paris. Roberto Marinho e a esposa também gostavam de aproveitar as férias em família, principalmente em Cardeiros.

O casamento com Stella chegou ao fim em dezembro de 1970.

 

Roberto e Stella Marinho foram amigos e cúmplices até o fim da vida dela. Bonita, elegante e sofisticada em seu gosto intelectual e cultural, Stella faleceu no dia 20 de outubro de 1995, na França. Ela sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), após ter sido assaltada por um motoqueiro. O coordenador da coleção de arte de Roberto Marinho, Joel Coelho, traça o estilo de Stella: “Ela era forte e simpática. Além de ser mãe de quatro filhos, tinha uma dinâmica no meio intelectual brasileiro muito grande. Fazia reuniões na casa dela com pintores e artistas. Todos gostavam e conviviam na casa dela.”

Stella Marinho em entrevista a revista Manchete, no Rio de Janeiro, sobre a campanha Ajude uma criança a estudar, 1961. Arquivo/Memória GloboA recordação que João Roberto tem da mãe é a imagem de uma mulher extraordinária. “Ela desenvolvia campanhas que procuravam ajudar as pessoas. Na nossa infância, gostava de ver a gente brincando no jardim. Controlava os nossos estudos. Ficava de olho nos boletins. A relação deles foi muito forte. Meu pai dizia que, por ele, jamais teria se separado.”

“Mudam os tempos. Alteram-se os costumes. Mas há uma instituição que resiste a todas as crises: o casamento." (Roberto Marinho)

“Minha mãe adorava receber. Promovia shows para a campanha dela, Ajude Uma Criança a Estudar, organizada pelo Globo. Acreditava no trabalho. Eu mesmo comecei a trabalhar com 16 anos”, recorda Roberto Irineu. "Primeiro na máquina impressora, depois fui para a redação e por aí em diante. Ela também acreditava na educação para formar pessoas preparadas e me botou para estudar muito. Mas não terminei a faculdade. A mamãe estimulou muito a nossa parte cultural. Eu e ela organizamos um curso de filosofia extraordinário em casa. Era uma amiga, agradável, culta. Toda minha formação cultural eu devo a ela. Meus irmãos diziam que eu era o predileto, e eu acredito que o fosse.”

A trajetória de José Roberto também foi marcada pela presença de Stella Marinho: “Minha mãe foi uma pessoa de muita influência na minha formação pessoal. Ela tinha o dom de criar um ambiente de cooperação entre a gente. Trouxe uma noção de estética, um conhecimento de arte, arquitetura. Fundou o Centro Cultural Cândido Mendes, a Casa de Cultura Laura Alvim, a Casa França-Brasil. Minha mãe foi muito importante em todos os aspectos da minha vida.”