Arte

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Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Um colecionador generoso e ciumento

Se por um lado Roberto Marinho era generoso e não se recusava a emprestar suas obras para exposições de arte, por outro sentia falta dos quadros perto dele. O assessor Arthur Peixoto lembra que era um sofrimento para o jornalista manter as telas longe de casa, muitas vezes, por dias a fio. “Ele sentia falta do quadro na casa dele. Era difícil, era um sacrifício para ele fazer uma exposição porque ele gostava de chegar em casa e olhar o quadro na parede. Ele tinha prazer em ver aquela pintura.”

“Era um sacrifício para ele fazer uma exposição. Ele gostava de chegar em casa e olhar o quadro na parede.” (Arthur Peixoto, assessor de Roberto Marinho)

O coordenador da coleção, Joel Coelho, recorda que, em 1950, Roberto Marinho emprestou um quadro de Giorgio de Chirico para um salão sobre alimentos que estava sendo inaugurado. Cedeu também obras de Pancetti, Guignard e Portinari, para a inauguração do prédio de uma empresa, em 1949. “Ao mesmo tempo em que ele tinha ciúme das obras, tinha também esse espírito público de emprestar, mesmo sem ter feito a primeira exposição de sua coleção”, diz Joel.

O coordenador do acervo lembra também do empréstimo do quadro Mulheres na Rua, de Di Cavalcanti, para uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil. “Quando eu cheguei para retirar a obra, Roberto Marinho perguntou: 'Tem certeza de que eu emprestei?’ Eu disse que sim, e ele foi taxativo: ‘Se o senhor está falando, tudo bem. Mas eu quero que o senhor acompanhe essa obra e fique do lado dela, porque se alguma coisa acontecer, vai acontecer a você também.’

Outro episódio explícito de ciúmes aconteceu com o empréstimo do quadro Jarra com Flores, de Guignard, um dos artistas preferidos e de quem também se tornou amigo. A tela ficava na sala de jantar do Cosme Velho. Joel Coelho conta: “Quando esse quadro era emprestado para alguma exposição, era uma dificuldade, pois ele não gostava de nenhum outro quadro no lugar. E me intimava a trazê-lo para casa: ‘Quero meu Guignard de volta!’