Em 18 de julho de 1911, Irineu Marinho lançou um dos mais modernos jornais das primeiras décadas do século XX. Noticiosa, ágil, com linguagem acessível e ricamente ilustrada com fotografias, charges e caricaturas, A Noite conquistou imediatamente o público carioca.


A fundação de A Noite

A revista O Gato, de Seth e Hugo Leal (pseudônimo de Vasco Lima), destaca a atuação de A Noite. 1912. Fundação Biblioteca NacionalEm 1910, quando era diretor da Gazeta de Notícias, Irineu Marinho começou a articular o lançamento de seu próprio jornal. O projeto foi sendo amadurecido com amigos e companheiros da redação, entre eles o escritor Paulo Barreto, já então conhecido pelo público pelo pseudônimo de João do Rio.

Com cerca de 100 contos de réis emprestados pelo próprio João do Rio, pelo empresário teatral Celestino da Silva, pelo fazendeiro Avelino Chaves, do Acre, além de pequenas quantias oferecidas pelos companheiros de profissão, Irineu Marinho conseguiu lançar o vespertino.

A redação ficava no Largo da Carioca, número 14, no coração da então capital federal, e as oficinas foram instaladas na Rua do Carmo. O jornal saía no final da tarde, por volta das 18h, e procurava noticiar em primeira mão os acontecimentos, se antecipando aos matutinos do dia seguinte.

A primeira edição de A Noite deu destaque à viagem do presidente Hermes da Fonseca ao Norte, em excursão de propaganda eleitoral para os candidatos governistas. Alertou sobre uma possível epidemia de cólera e deu início a uma série de matérias contra os quiosques da cidade. O jornal trazia seções com notícias parlamentares, colunas com comentários políticos, sociais e culturais e o clássico folhetim. No número de estreia, A Noite iniciou a publicação de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, traduzido por João do Rio.

Entre os colaboradores de primeira hora estavam Joaquim Marques da Silva, sócio principal de Irineu Marinho até 1918; o repórter Castellar de Carvalho; Victorino de Oliveira; Artur Marques; Alcides Silva; Raphael de Borja Reis; Eustáquio Alves; João Alfredo Pereira Rego; João Antônio Brandão, jornalista responsável pela coluna Ecos e Novidades; Astarbé Rocha; Ferreira dos Santos; Josephino de Moraes e Augusto Rodrigues Ferreira. Logo outros importantes colaboradores uniram-se ao grupo, entre eles Mário Magalhães, Oséas Mota, Maurício de Medeiros e o grande amigo de Irineu Marinho, Antônio Leal da Costa.