Em 18 de julho de 1911, Irineu Marinho lançou um dos mais modernos jornais das primeiras décadas do século XX. Noticiosa, ágil, com linguagem acessível e ricamente ilustrada com fotografias, charges e caricaturas, A Noite conquistou imediatamente o público carioca.


A perda de A Noite

Em 1924, temendo não sobreviver a uma delicada cirurgia na pleura, Irineu Marinho negociou suas ações de A Noite com o empresário Geraldo Rocha, até então um dos acionistas minoritários do jornal. Um acordo verbal previa a devolução do controle acionário caso Marinho sobrevivesse à cirurgia e à viagem que faria, logo depois, para se restabelecer.

Um mês após a cirurgia, Marinho embarcou para a Europa com a família. Em janeiro de 1925, em Portugal, Irineu Marinho começou a receber notícias preocupantes. Geraldo Rocha havia convocado, sem consultá-lo, uma assembléia extraordinária de acionistas. Reunidos no início de fevereiro, os acionistas, liderados por Rocha, alteraram os estatutos da Sociedade Anônima, criaram cargos e elegeram novos diretores. Apesar da confirmação de Irineu Marinho no cargo de presidente da empresa, muitos de seus poderes e atribuições foram retirados.

Irineu Marinho havia sido traído. Não apenas pelo sócio, mas também por dois de seus amigos mais próximos: o ilustrador Vasco Lima e o repórter Castellar de Carvalho, que passaram a fazer parte da nova diretoria do jornal.

Quando recebeu tais notícias, Irineu Marinho voltou imediatamente ao Brasil. Dias após seu desembarque renunciou à presidência de A Noite, se desligando definitivamente do jornal que havia criado. O golpe não o abateu: pouco meses depois, lançaria O Globo.