Em 18 de julho de 1911, Irineu Marinho lançou um dos mais modernos jornais das primeiras décadas do século XX. Noticiosa, ágil, com linguagem acessível e ricamente ilustrada com fotografias, charges e caricaturas, A Noite conquistou imediatamente o público carioca.


O vespertino dos cariocas

Primeira página de A Noite com texto de Coelho Netto e desenho de Seth. A Noite, 03/03/1924, segunda-feira de carnaval. Arquivo / Memória GloboA Noite apostou na temática popular, na linguagem acessível, na crítica política e na pauta dos problemas da cidade para alavancar as vendas e, com isso, garantir sua independência financeira e política. Logo conquistou o público carioca e chegou a tiragens de mais de 100.000 exemplares, número impressionante para época.

Em suas memórias, o escritor Nelson Rodrigues escreveu sobre o amor dos cariocas ao jornal de Irineu Marinho:

 “Sim. A Noite foi amada por todo um povo. Penso nas noites de minha infância, em Aldeia Campista. O jornaleiro vinha de porta em porta. Os chefes de família ficavam, de pijama, no portão, na janela, esperando. E lá, longe, o jornaleiro gritava: - A Noite, A Noite!. Ainda vejo um sujeito, encostado num lampião, lendo à luz de gás o jornal de Irineu Marinho. Estou certo de que se saísse em branco, sem uma linha impressa, todos comprariam A Noite da mesma maneira e por amor.” (A meninas sem estrela).