Com o sucesso de A Noite, Irineu Marinho passou a investir também na publicação de livros. Através das Oficinas Gráficas d´A Noite e do selo Empresa de Romances Populares, o jornalista editou romances, livros acadêmicos, almanaques e folhetins em fascículos.


Numa e a Ninfa

Um dos primeiros livros a serem publicados pelas Oficinas Gráficas d´A Noite foi Numa e Ninfa, de Lima Barreto. O romance, escrito especialmente para o jornal e dedicado a Irineu Marinho, já havia sido publicado originalmente como folhetim no vespertino, de março a julho de 1915.

Em 1917, Irineu Marinho criou o selo Empresa de Romances Populares, dedicado inicialmente aos romances em fascículos, muitos dos quais já publicados no jornal ou exibidos no cinema. Um dos grandes destaques dessa fase foi o policial Sr. Lubin – Herança Trágica, de Constant Guéroult. Durante cinco meses, de setembro de 1918 a janeiro de 1919, o jornal promoveu uma inovadora campanha de lançamento, publicando pequenas notas sobre a identidade do misterioso Sr. Lubin. A publicação abria espaço para publicidade, com anúncios de produtos e casas de comércio da época. A Empresa de Romances Populares publicou ainda livros como Os crimes célebres do Rio de Janeiro, de Hermeto Lima e Bagatelas, de Lima Barreto.

Irineu Marinho se envolvia pessoalmente na atividade. Em 1922, preso na Ilha das Cobras, Irineu Marinho sugeriu ao amigo Vasco Lima a edição de crônicas de Vieira da Silva:

Esta noite eu tive uma ideia, que, aliás, não me está parecendo muito nova; penso mesmo que me acode pela segunda vez. Se editássemos em livros, com boa aparência, as crônicas do velho Vieira Fazenda, agindo-se de acordo com a família e pagando-se a esta uma percentagem razoável? A coletânea poderia ser feita com algum trabalho, não só compulsando-se a coleção da Notícia, como pedindo o auxilio do sempre amável Max Fleiuss. Parece-me que a tentativa deve ser coroada de algum êxito (feita, é claro, alguma reclame), porque está esgotada a edição de vários livros do gênero, o que mostra que ha para este muitos apreciadores. Poderíamos enriquecer o volume com algumas ilustrações apropriadas, o que também não se me afigura muito difícil. Para a Empresa, creio que não seria mau. E é só.