Irineu Marinho não se deixou abater pelo golpe da perda de A Noite. Em 29 de julho de 1925, 149 dias após sua renúncia à presidência do jornal que havia fundado em 1911, lançou seu novo vespertino, O Globo.


Trechos do livro "Irineu Marinho - Imprensa e Cidade"

Lançamento


Se não foi o responsável pela perda de A Noite, o foi em grande parte pela rápida reversão dos acontecimentos. Serão exatos 159 dias entre o desembarque da família Marinho no cais do Rio de Janeiro e a circulação do primeiro número do jornal O Globo. Em menos de cinco meses Irineu havia conseguido um local para montar as oficinas, organizar a redação e lançar o jornal na praça. No dia 29 de julho de 1925, a primeira edição rodou às dezoito horas, seguida de outra, num total de 33.435 exem plares. Trinta e três companheiros saíram de A Noite e o acompanharam no novo empreendimento, entre eles, Antônio Leal da Costa, Herbert Moses, Manoel Gonçalves, Barros Vidal, Horácio Cartier, Costa Ramos, Eurico Matos, Bastos Tigre, Costa Soares, Pereira Rego, João Louzada, Carlos Gonçalves, Eloy Pontes, Eurycles de Mattos, Henrique Gigante, Brício Filho, Neto Machado, Mário Melo, com apenas doze anos de idade, Silvio Leal da Costa e Valter Prestes.

 

A escolha do nome

O lançamento de um jornal novo, com a marca de Irineu Marinho e após o escândalo em que se convertera a traição de Geraldo Rocha e de antigos companheiros de A Noite, não pareceu muito difícil. Célebre pelas enquetes que comandara em A Noite, Irineu resolveu lançar uma campanha pública para que os leitores se pronunciassem acerca do nome que deveria tomar o novo jornal. Correio da Noite foi o mais votado. Como o título não estava disponível, foi escolhido O Globo, segundo colocado no concurso.

Carvalho, Maria Alice Rezende de. Irineu Marinho - Imprensa e Cidade. Editora Globo / Memória Globo, 2012.