A Rio Gráfica tinha sede na rua Itapiru, entre os bairros do Catumbi e do Rio Comprido, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A editora tornou-se um dos maiores parques gráficos da América Latina. Editava revistas de grande circulação e fascículos, além de quadrinhos, como Almanaque do Mandrake, O Príncipe Valente e Jerônimo: o Herói do Sertão.


A freira e a censura

Perseguição da concorrência de um lado, perseguição política de outro. Em 1964, as revistas infantis ainda sofriam preconceito.  Segundo o livro Um Mundo de Impressões: 60 Anos da Editora Globo, de Thiago Blumenthal e Gonçalo Junior, em pleno regime militar foi apresentado um projeto de lei, de autoria do deputado Eurico de Oliveira, proibindo “a impressão de revistas destinadas à infância e à adolescência que explorem temas baseados na violência, no crime ou no terror, devendo ser classificadas na mesma categoria das publicações imorais e pornográficas, para efeito de apreensão, nas bancas, pela polícia”.

Revista As Aventuras de Irmã Angélica, n° 4, 1970. Acervo Ed. Globo

Além dos quadrinhos, as fotonovelas também se tornaram vítimas de perseguição. Foram combatidas pela ditadura militar, que obrigou os editores a vender as revistas em sacos plásticos lacrados e para maiores de 16 anos. A censura, no entanto, não intimidou. A Rio Gráfica lançou um dos títulos mais curiosos da época, a bela e atrapalhada freirinha Angélica, que tentava ajudar as pessoas em aventuras policiais. A revista foi publicada até outubro de 1972.