A Rio Gráfica tinha sede na rua Itapiru, entre os bairros do Catumbi e do Rio Comprido, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A editora tornou-se um dos maiores parques gráficos da América Latina. Editava revistas de grande circulação e fascículos, além de quadrinhos, como Almanaque do Mandrake, O Príncipe Valente e Jerônimo: o Herói do Sertão.


Boom editorial

“Nunca se vendera tantos quadrinhos no Brasil como em 1960. As revistinhas eram um fenômeno de comunicação de massa totalmente incorporado ao cotidiano urbano brasileiro”. (Thiago Blumenthal e Gonçalo Junior)

Graças ao sucesso das publicações na década de 1950, a Rio Gráfica mantém a bem-sucedida linha editorial, e os quadrinhos vencem a guerra contra os críticos que acusavam os comics americanos de desnacionalizar a cultura. A tese da dominação cultural aliada à má fé dos opositores atribuía a Roberto Marinho a responsabilidade pela delinquência juvenil. Na verdade, o alvo dos inimigos era o próprio negócio do jornalista que, desde o início, dava lucro. O impacto e a aceitação dos gibis eram tão expressivos que as revistinhas sumiam assim que chegavam às bancas. Na época, as crianças ganharam até uma fotonovela exclusiva, a Polichinelo.

Nos anos 1960, a Rio Gráfica estava de vento em popa. Investia nas promoções e prêmios para os jornaleiros que estampassem as revistas nas bancas. Repaginou os almanaques de fim de ano e lançou gibis em cores (o primeiro foi O Fantasma, o campeão de vendas, com uma tiragem de mais de 200 mil exemplares). As revistas mudaram de cara. Na época, a Rio Gráfica já contava com escritórios em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.