Quando a Globosat começou, em 1991, era uma empresa que produzia e distribuía conteúdos variados. Com o tempo, a experiência mostrou que são duas maneiras distintas de administrar conteúdos para TV segmentada. Ao olhar para a cadeia de valor do negócio TV por assinatura, separar a produção dos conteúdos, da maneira com que esses conteúdos chegam à casa dos assinantes, fazia todo o sentido. Essa decisão deu à empresa vantagem competitiva, e foi um marco na história da Globosat.


Divisão entre produção e distribuição

Assim que começaram a surgir as primeiras operações a cabo, houve uma divisão que contribuiu para a consolidação da Globosat. Nos primórdios das transmissões, a empresa era operadora e programadora – ou seja, combinava duas funções extremamente complexas para serem realizadas pela mesma empresa.

“Começamos a Globosat com o erro de confundir a produção de canal com a distribuição de canal. Em 1994, separamos a produção da distribuição em Globosat e Net. Por que separamos? Porque são duas maneiras de administrar e pensar negócios completamente diferentes uma da outra. A partir da separação, os canais ganharam independência, começaram a ser mais bem produzidos, e a distribuição ficou mais eficiente. Embora os dois vivam de assinatura, a maneira de planejar um e outro é completamente diferente”, esclarece Roberto Irineu sobre o passo que sedimentou o crescimento da empresa.

“São duas maneiras de administrar e pensar negócios completamente diferentes uma da outra.” (Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo)

Antonio Athayde, que na época da separação entre produção e distribuição era diretor-geral da empresa, explica: “A primeira coisa que ficou clara para mim é que a atividade de produção e programação de televisão não tinha nada a ver com a atividade de se colocar antenas parabólicas ou cabos, isto é, com a distribuição. Então, fizemos uma divisão e criamos a Net Brasil, que assumiu a parte de distribuição.” Athayde enfatiza: “Essa separação foi fundamental para termos uma grande vantagem competitiva.”

Sobre o processo de produção e distribuição, Jorge Nóbrega, vice-presidente executivo e membro do Conselho de Administração das Organizações Globo, esclarece: “Olhando a cadeia de valor, você tem a contratação de direitos; a produção do conteúdo; a programação desse conteúdo, na forma de programas ou canais, no caso da Globosat; o empacotamento desse conteúdo; e você tem a distribuição, que é como o conteúdo chega na casa das pessoas, se por cabo, por satélite ou pela internet.” Assim, separar as duas atividades fazia todo sentido, e foi um marco na história da Globosat.