Com a aprovação e o entusiasmo de Roberto Marinho, a Globosat surgiu de um projeto ambicioso. Em 1990, o  presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, teve a ideia de criar um sistema de televisão educacional que chegasse em cada comunidade do país por assinatura e Banda C, como é hoje o canal Futura. O projeto foi levado ao governo federal na época, mas não houve interesse. Apesar de não ter sido adotada pelo governo, Roberto Irineu resolveu submeter a proposta de uma empresa de TV por assinatura ao Comitê Executivo das Organizações Globo. Roberto Marinho foi o primeiro a gostar: “A criação da Globosat foi um projeto do Roberto Irineu com o Joe Wallach e, obviamente, levaram a ideia ao meu pai. E ele decidiu fazer, como qualquer veículo novo. Qualquer iniciativa nova que se levasse a ele, ele achava ótimo.”, diz João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo.  E assim nasceu a Globosat, que entrou no ar em novembro de 1991, como a primeira programadora de TV por assinatura do Brasil. O canal educativo Futura, um dos objetivos iniciais da empreitada, só seria criado em 1997.


Da parabólica ao cabo

“O projeto da Globosat era transmitir, via Brasilsat II, um satélite da Embratel. Esse satélite, para ser bem recebido, exigia antenas de grande porte, de 3 metros e 60 centímetros de diâmetro, que eram colocadas no alto dos edifícios. E o sinal era distribuído pelas antenas coletivas dos apartamentos. Era uma transmissão condominial”, esclarece Herbert Fiuza, ex-diretor técnico da Globosat e da Net, operadora que distribuía os canais.

Antonio Athayde foi convidado a assumir a diretoria da Globosat em agosto de 1992, menos de um ano após seu lançamento, quando a programadora já contava com seis mil assinantes, quatro canais e operava apenas com as grandes antenas parabólicas da banda C. Logo, foi conversar com Joe Wallach, executivo norte-americano que havia ajudado a implementar a Rede Globo e, naquele momento, era responsável por colocar em pé a TV por assinatura. “A estratégia da Globosat era colocar antenas parabólicas nos edifícios. Joe me explicou: ‘A gente vai nas reuniões de condomínio e convence os condôminos a colocar a antena parabólica’. Eu respondi: ‘Joe, você já foi a alguma reunião de condomínio no Brasil? Quando for, irá descobrir que não se decide nada nessas reuniões.’”

“O começo da TV por assinatura no Brasil foi uma fantástica aventura.” (Antonio Athayde, ex-diretor-geral)

Em pouco tempo, Joe Wallach deu razão a Athayde: “Começamos a colocar parabólicas em cima dos prédios grandes. Eram antenas de três metros de largura, mas vi que era um processo difícil, lento, muito devagar, principalmente no Rio de Janeiro.”

As antenas parabólicas, naquele momento, tinham uma mecânica complicada, por terem que ser posicionadas no alto dos telhados e sofrerem ações externas dos ventos e intempéries. Dois anos mais tarde, surgiu a distribuição por cabo no Brasil. Herbert Fiuza, responsável pela área de engenharia da Globosat, foi aos Estados Unidos estudar a nova tendência: “Nos primeiros seis meses de 1993, tive que entender também um pouco de distribuição via cabo. Para mim, era até um paradoxo: tudo no mundo estava caminhando para o sem fio, como acontecia com o telefone, e nós, voltando para o cabo!”