Roberto Marinho queria um jornal semelhante aos melhores do mundo. Entusiasmado com tecnologia, investia na modernização de equipamentos e instalações, mas sem ostentação. Gostava de qualidade. Essa exigência  o levou  a transformar O Globo, a partir dos anos 1970, num periódico matutino, com circulação aos domingos, com suplementos e novas seções. Ao lado dele, um interlocutor capaz de cumprir a missão, Evandro Carlos de Andrade. O colaborador ajudou Roberto Marinho a concretizar os seus sonhos empresariais e jornalísticos.


Criação das editorias

A divisão de O Globo por editorias foi uma iniciativa do jornalista Evandro Carlos de Andrade. No início, Roberto Marinho resistiu. Para ele, as notícias mais importantes deveriam ocupar as páginas mais destacadas, como a primeira e a terceira. Não era especificamente para assuntos de determinado setor, mas para os acontecimentos mais significativos do dia. Evandro costumava contar da dificuldade que teve em convencer o jornalista pela setorização de O Globo. “Dr. Roberto detestava assuntos econômicos. Mas quanto tinha alguma coisa importante, mandava dar na terceira página. Como eu tinha criado as editorias, botava na seção de Economia, que ficava no final do jornal. E ele ficava uma fera: ‘Você enterrou isso no fundo do jornal!’ dizia. Para ele, a seção de Economia era o fundo do jornal, como se ninguém lesse. Com a criação das editoriais, compartimentamos as notícias e o jornal ficou mais fácil de ler.”

Com apenas três repórteres, O Globo criou a editoria de economia, que passou a ser a principal de toda a imprensa, na avaliação de Evandro. Na época, os assuntos de política eram visados e censurados. O diretor de Jornalismo lembrava que além da economia, foi desconstruindo a importância da cobertura policial – chamada de Repol – e os assuntos passaram a ser abordados na reportagem geral. “Não havia mais ninguém ligado com delegado. Acabamos com esse tipo de fonte especial,” dizia Evandro. Com o surgimento da setorização, cada editoria ganhou seus redatores, o que resultou em melhores coberturas, aumento no número de repórteres e de salários. Foi também nessa época que O Globo começou a ter repórteres exclusivos.