Roberto Marinho queria um jornal semelhante aos melhores do mundo. Entusiasmado com tecnologia, investia na modernização de equipamentos e instalações, mas sem ostentação. Gostava de qualidade. Essa exigência  o levou  a transformar O Globo, a partir dos anos 1970, num periódico matutino, com circulação aos domingos, com suplementos e novas seções. Ao lado dele, um interlocutor capaz de cumprir a missão, Evandro Carlos de Andrade. O colaborador ajudou Roberto Marinho a concretizar os seus sonhos empresariais e jornalísticos.


De vespertino a matutino

O Globo passou a circular pela manhã a partir de 1972. Para não assustar os leitores, a passagem de vespertino para matutino foi lenta. O horário do jornal foi sendo antecipado dia após dia, ao longo da década de 1960. Roberto Irineu Marinho conta que, a cada semana, o jornal saía 15 minutos mais cedo. “Não foi um processo que o meu pai decidiu de um dia para o outro. Ele foi adiantando o jornal devagarinho para que as pessoas não percebessem a mudança.”

Segundo João Roberto Marinho, o vespertino era um jornal que saía na hora do almoço, privilegiava a velocidade e a quantidade de informações novas. “Meu pai fez um projeto na cabeça dele de transformar O Globo em matutino ao longo de quase 20 anos. Um negócio de chinês. Olhando para o futuro, sempre com uma visão fantástica, ele achava que a televisão acabaria com os vespertinos. Não teria nenhum sentido um jornal concorrer com um meio eletrônico tão forte para ter notícia no final do dia”, conta.