Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


A Coluna Prestes

Na década de 1920, o descontentamento com a política oligárquica da República Velha atingiu patamares críticos com as revoltas tenentistas. A crise político-militar teve dois focos principais: o Rio Grande do Sul e São Paulo. Derrotados em 1924, as tropas rebeldes gaúchas, lideradas por Luís Carlos Prestes, e as paulistas, sob a chefia de Isidoro Dias Lopes, se uniram no Paraná e organizaram uma “guerra de movimento” para difundir suas reivindicações de cunho antioligárquico e nacionalista. Formava-se, assim, em 1925, a Coluna Prestes, que durante dois anos percorreu cerca 27 mil km, obtendo várias vitórias contra as forças legalistas. Com o fim do mandato do presidente Arthur Bernardes, a Coluna se dirigiu para a Bolívia e se dissolveu em fevereiro de 1927.

O Globo acompanhou o movimento através de duas séries de reportagens intituladas A Coluna Prestes através do Brasil, e da cobertura do período em que a Coluna se exilou na Bolívia. A primeira série, de 30 de agosto a 6 de setembro de 1926, apresentou uma radiografia da Coluna. As reportagens eram acompanhadas de fotografias e mapas. A outra série, publicada em janeiro e fevereiro de 1927, foi especialmente encomendada ao deputado gaúcho Baptista Luzardo, que escreveu uma “narrativa histórica”, em 11 capítulos, sobre a constituição da Coluna.

Foram publicadas diversas reportagens, com a rubrica Movimento Revolucionário, que destacavam ações da marcha da Coluna pelos estados em que passava. No dia 9 de fevereiro, o jornal noticiou “a internação de Prestes e Miguel Costa na Bolívia”.

Em março deste mesmo ano, O Globo publicou o cabeçalho de uma das edições de O Libertador, órgão revolucionário da Coluna Prestes que circulava mesmo proibido pela polícia. O Globo apoiou também um concurso promovido por ex-alunos da Escola Militar para ajudar os revolucionários exilados na Bolívia. O jornal se propôs a participar da arrecadação das quantias para aquele “generoso movimento popular”.