Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


A crise do segundo governo Vargas

Em 1945, O Globo apoiou os movimentos pela abertura política e a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes, pela União Democrática Nacional (UDN) às eleições presidenciais. No entanto, quem venceu foi o candidato do Partido Social Democrático (PSD), marechal Eurico Gaspar Dutra, que permaneceu no poder até a volta de Vargas, eleito pelo voto direto em 1950.

Durante o segundo governo de Vargas, as críticas de O Globo voltaram-se, novamente, contra o presidente. Em 1953,  o clima de tensão aumentou quando a Rádio Globo abriu espaço para os ataques de Carlos Lacerda contra Getúlio. O diretor da Tribuna da Imprensa fazia denúncias de corrupção no programa Conversa em Família, que batia recordes de audiência. Uma das acusações era  a concessão de verbas públicas para o jornal Última Hora, de Samuel Wainer, aliado de Vargas. Em 1954, Lacerda continuou com seus ataques no Parlamento em Ação. O programa, criado por Raul Brunini, editava trechos das discussões de plenário da Câmara dos Deputados, que eram comentados por Carlos Lacerda. Os discursos ganhavam repercussão em O Globo.

Diante das agressões de Lacerda, Vargas reagiu. Roberto Marinho foi procurado pelos getulistas que exigiam o mesmo espaço para apresentar seus argumentos e suas defesas na Rádio Globo. Os microfones da rádio foram abertos, mas a crise política se agravou e o governo decidiu deixar de participar do programa. Carlos Lacerda ficou sozinho com suas críticas.