Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


A Guerra e O Globo Expedicionário

Soldados da FEB com O Globo Expedicionário, durante a Segunda Guerra Mundial. Arquivo/Agência O GloboO Brasil declarou guerra à Alemanha e seus aliados em agosto de 1942. A decisão foi tomada depois do afundamento de navios brasileiros pela marinha alemã, o que desencadeou no país uma série de campanhas populares e manifestações públicas contra os alemães. Nesse mesmo ano, O Globo enviou o jornalista Joaquim Ferreira à Inglaterra, como seu representante na delegação de imprensa convidada pelo governo britânico para atuar como observadora do conflito. Em uma segunda viagem à Inglaterra, Joaquim Ferreira atuaria também como correspondente no serviço brasileiro da BBC de Londres.

Dois anos após o rompimento das relações diplomáticas com os países do Eixo, em 1944, o Brasil enviou tropas à Europa, passando a participar diretamente dos combates. Nesse momento, quando a Força Expedicionária Brasileira (FEB) comandada pelo general Mascarenhas de Moraes foi enviada ao front italiano, Roberto Marinho decidiu editar O Globo Expedicionário, um jornal especialmente criado para os pracinhas. Lançado em 7 de setembro de 1944, o suplemento chegava semanalmente à Itália, levando aos soldados brasileiros notícias do Brasil e de seus familiares e amigos. O Globo Expedicionário teve 37 edições, circulando até maio de 1945. Era dirigido por Rogério Marinho e pelo conhecido comunista Pedro Motta Lima, e sua equipe de redação, chefiada por Alves Pinheiro.

Egídio Squeff, que acompanhou a FEB como correspondente de O Globo,  definiu a importância do suplemento: “Para muitos dos nossos pracinhas, a ausência de cartas e notícias do Brasil era talvez tão dura como lutar com os alemães. Por isso quero destacar o papel desempenhado por um jornalzinho modesto que seguia daqui para as mãos dos nossos combatentes: O Globo Expedicionário. Não vinham cartas? Não chegavam jornais? Pois ali sempre encontravam alguma coisa, recado da família, namoradas, simples amigos, informações, vitória do Flamengo e até nome de filmes. Um só exemplar do ‘Globinho’, como o chamavam, percorria centenas, milhares de mãos, pois o transporte de grande número era impraticável. A avidez por notícias do Brasil era tamanha que surgiu na frente uma folha mimeografada, o ‘Zé Carioca’, feita com devoção, mas que não bastava, obviamente, para cortar a sede sentimental dos pracinhas. O ‘Globinho’ foi um pequeno herói anônimo na nossa guerra”.

A Guerra chegou ao fim em 8 de maio de 1945 e, em 29 de outubro do mesmo ano, Getúlio Vargas foi afastado do poder pelos militares. Na edição desse dia, o editorial de O Globo exaltou o término do Estado Novo e publicou o título: “Restituição do Brasil ao domínio da lei.”